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domingo, 22 de maio de 2011

O BEM É INCANSÁVEL


“E vós, irmãos, não vos canseis de fazer o bem.” – Paulo. (II Tessalonicenses, 3:13).

É muito comum encontrarmos pessoas que se declaram cansadas de praticar o bem.
Estejamos, contudo, convictos de que semelhantes alegações não procedem de fonte pura.
Somente aqueles que visam determinadas vantagens aos interesses particularistas, na zona do imediatismo, adquirem o tédio vizinho da desesperação, quando não podem atender a propósitos egoísticos.
É indispensável muita prudência quando essa ou aquela circunstância nos induz a refletir nos males que nos assaltam, depois do bem que julgamos haver semeado ou nutrido.
O aprendiz sincero não ignora que Jesus exerce o seu ministério de amor sem exaurir-se, desde o princípio da organização planetária.
Relativamente aos nossos casos pessoais, muita vez terá o Mestre sentido o espinho de nossa ingratidão, identificando-nos o recuo aos trabalhos de nossa própria iluminação; todavia, nem mesmo verificando-nos os desvios voluntários e criminosos, jamais se esgotou a paciência do Cristo que nos corrige, amando, e tolera, edificando, abrindo-nos misericordiosos braços para a atividade renovadora.
Se Ele nos tem suportado e esperado através de tantos séculos, porque não poderemos experimentar de ânimo firme algumas pequenas decepções durante alguns dias?
A observação de Paulo aos tessalonicenses, portanto, é justa.

Se nos entediarmos na prática do bem, semelhante desastre expressará em verdade que ainda nos não foi possível a emersão do mal de nós mesmos.



EMMANUEL - ESPÍRITO
PSICOGRAFIA DE FRANCISCO CÂNDIDO XAVIER.
LIVRO: PÃO NOSSO

sexta-feira, 20 de maio de 2011

Preparando os colaboradores para lidar com gente. Qualificação Pessoal.



"...por que gado a gente laça,tange, ferra, engorda e mata, mas com gente é diferente. "Geraldo Vandré


Uma afirmação do consultor Jefferson Lopes da Rocha : "... cada empresa deve empenhar-se em preparar seus colaboradores para lidar com gente, e não apenas lidar com clientes.
Existe uma diferença fundamental entre esses dois tipos de relacionamento: . para lidar com cliente, a pessoa usa de comportamentos artificiais; ela trata bem o cliente para garantir o seu salário, o seu emprego, a satisfação do proprietário e, conseqüentemente, os lucros da empresa; . enquanto que, para lidar com gente, a pessoa deve estar pronta, amadurecida e evoluída o suficiente para saber lidar com vários tipos de pessoas e extrair o máximo de aprendizado de cada relacionamento.






Aprendendo a lidar com clientes as pessoas desenvolvem uma "falta de naturalidade no tratamento", por sentirem-se obrigadas a tratá-los "adequadamente" e a seguir regras e padrões da empresa. Em vários casos, essas pessoas discordam de muitas regras e atividades que devem realizar, sentindo-se pouco a vontade para discordar das mesmas e construir regras mais "vivas" e mais eficazes, o que gera vivência de sentimentos de insatisfação e descontentamento. Segundo o consultor citado "o vendedor que atinge maturidade em lidar com gente trata super bem o cliente, valoriza-o, contorna situações indesejáveis com diplomacia, encanta-o, por ter, naturalmente, essas atitudes na maioria dos seus relacionamentos".
O conteúdo desta frase é excelente para aprendermos atitudes desejáveis a ser desenvolvidas num vendedor, embora discordemos da expressão "naturalmente". Na verdade, a maturidade nas relações não é nada natural. É um processo aprendido com esforço pelas pessoas que desejam viver melhor.


Viver é relacionar. Estamos quase todo o tempo relacionando, seja profissionalmente, seja pessoal ou intimamente. A maioria das pessoas aprende a relacionar de forma desconfiada, 'com um pé atrás', como se o outro fosse um inimigo que ela tivesse que combater. Este é um traço da nossa cultura, individualista e competitiva.


Por outro lado. algumas pessoas, especiais, aprendem (ou reaprendem) uma maneira nova - produtiva e prazerosa - de conceber a si mesmas e os seres humanos, e conseguem agir conforme essa concepção nas diversas relações, inclusive nas profissionais - com 'chefes', colegas e clientes.


Lidar com gente significa, portanto, desenvolvermos a atitude constante de "extrair o máximo aprendizado de cada relacionamento". Significa incorporar a concepção de que o fato de sermos seres relacionais implica em crescer como ser humano através do outro e permitir que o outro cresça através de mim. Esta postura na vida requer a atitude de nos despir dos nossos preconceitos, do medo, e nos abrir para o outro, para as trocas que geram prazer e crescimento.


E exige, principalmente, o desenvolvimento da virtude da humildade para aprender continuamente. Esta é uma virtude dos grandes profissionais, principalmente quando a proposta é desenvolver-se para lidar com gente, através de métodos, técnicas e recursos modernos e apropriados.



Santuza Fernandes Rodrigues é psicóloga com especialização em clínica, educacional e organizacional pela PUC-MG, Pós-graduada em Metodologia do Ensino Superior, Ex-Professora Universitária (UNA, Ciências Médicas, FUMEC), Palestrante, Consultora Organizacional de RH, Instrutora de Treinamento de Relações Humanas e Marketing (Telemar, Cemig, Credireal, Sebrae, Fundacentro, Unimed) psicoterapeuta de adolescentes, adultos, casais e famílias



REFLEXÃO: O SEGREDO DE Saber lidar com gente.


Durante minha vida profissional, eu topei com algumas figuras
cujo sucesso surpreende muita gente.
Figuras sem um vistoso currículo acadêmico,sem um grande diferencial técnico,sem muito networking ou marketing pessoal.
Figuras como o Raul.
Eu conheço o Raul desde os tempos da faculdade.
Na época, nós tínhamos um colega de classe, o Pena, que era um gênio.
Na hora de fazer um trabalho em grupo, todos nós queríamos cair no grupo do Pena, porque o Pena fazia tudo sozinho.
Ele escolhia o tema, pesquisava os livros, redigia muito bem e ainda desenhava a capa do trabalho - com tinta nanquim.


Já o Raul nem dava palpite.
Ficava ali num canto,
Dizendo que seu papel no grupo era um só, apoiar o Pena.


Qualquer coisa que o Pena precisasse, o Raul já estava providenciando, antes que o Pena concluísse a frase.


Deu no que deu.
O Pena se formou em primeiro lugar na nossa turma.
E o resto de nós passou meio na carona do Pena
- que, além de nos dar uma colher de chá nos trabalhos, ainda permitia que a gente colasse dele nas provas.
No dia da formatura, o diretor da escola chamou o Pena de
'paradigma do estudante que enobrece esta instituição de ensino'
E o Raul ali, na terceira fila, só aplaudindo.
Dez anos depois, o Pena era a estrela da área de planejamento de uma multinacional.
Brilhante como sempre, ele fazia admiráveis projeções estratégicas de cinco e dez anos.
E quem era o chefe do Pena?
O Raul.
E como é que o Raul tinha conseguido chegar àquela posição?
Ninguém na empresa sabia explicar direito.
O Raul vivia repetindo que tinha subordinados melhores do que ele, e ninguém ali parecia discordar de tal afirmação.
Além disso, o Raul continuava a fazer o que fazia na escola, ele apoiava.
Alguém tinha um problema?
Era só falar com o Raul que o Raul dava um jeito.
Meu último contato com o Raul foi há um ano.
Ele havia sido transferido para Miami, onde fica a sede da empresa.
Quando conversou comigo, o Raul disse que havia ficado surpreso com o convite.
Porque, ali na matriz, o mais burrinho já tinha sido astronauta.
E eu perguntei ao Raul qual era a função dele.
Pergunta inócua, porque eu já sabia a resposta.


O Raul apoiava. Direcionava daqui, facilitava dali, essas coisas que, na teoria, ninguém precisaria mandar um brasileiro até Miami para fazer.
Foi quando, num evento em São Paulo , eu conheci o Vice-presidente de recursos humanos da empresa do Raul.
E ele me contou que o Raul tinha uma habilidade de valor inestimável:...


Ele entendia de gente.
Entendia tanto que não se preocupava em ficar à sombra dos próprios subordinados para fazer com que eles se sentissem melhor,
e fossem mais produtivos.
E, para me explicar o Raul, o vice-presidente citou Samuel Butler,
que eu não sei ao certo quem foi, mas que tem uma frase ótima:


'Qualquer tolo pode pintar um quadro, mas só um gênio consegue vendê-lo'.


Essa era a habilidade aparentemente simples que o Raul tinha,
de facilitar as relações entre as pessoas.
Perto do Raul, todo comprador normal se sentia um expert, e todo pintor comum, um gênio.
Essa era a principal competência dele.
'Há grandes Homens que fazem com que todos se sintam pequenos.


Mas, o verdadeiro Grande Homem é aquele que faz com que todos se sintam Grandes.'
De Max Gehringer






( Todos o dias de minha vida tem sido de aprendizado, pois foi para isso que Deus me fez reencarnar. Poucas vezes em minha vida senti inveja, gosto de ver as pessoas que amo terem sucesso e tornarem-se melhor social e moralmente. Mas eu gostaria de ter escrito o texto abaixo, gostaria de ser um Raul, de entender melhor as pessoas como elas são e fazer com que elas pudessem ser reconhecidas, sempre, pelas virtudes e não pelas imperfeições ainda latentes.)

Texto nos enviado por José Roberto Pires da Rosa.







quinta-feira, 19 de maio de 2011

STRESS E ESPIRITUALIDADE. O ser humano vive em estado de estresse permanente...



Para o grande público, estresse é uma situação psicologicamente agressiva que repercute no corpo. Este, porém, é apenas um dos aspectos do estresse, a sua versão psicossomática, há outros, porém, a serem considerados. Na verdade, o ser humano vive em estado de estresse permanente, bombardeado por fatores estressantes diversos - físicos, psico-emocionais, e espirituais - que lhe exigem constante adaptação ao mundo que o cerca.


Os fatores estressantes emocionais tanto podem ser tristes, como a morte de um ente querido, o desemprego, quanto felizes, como o sucesso do atleta ou as alegrias do reencontro - todos desencadeiam, do mesmo modo, os mecanismos e as conseqüências do estresse. O mesmo acontece em relação aos abalos nervosos, como no estado de cólera, medo, etc., assim como frente aos fenômenos físicos nocivos -frio, calor, fadiga, agentes tóxicos ou infecciosos, jejum, exercícios físicos exagerados, etc.
Na verdade, o estresse é a resposta não específica que o corpo dá a toda demanda que lhe é feita. Ele corresponde à interação entre uma força e a resistência do organismo a esta força. É o complexo agressão-reação.


Se a agressão é ocasionada por uma grande diversidade de fatores, a reação comporta uma parte idêntica, comum a todos os indivíduos, e uma parte própria de cada um, denominada "coping" ou aspecto específico da reação não específica.


A medicina hoje considera a doença como sendo a resultante da agressão mais a reação não específica, mais reação específica. Isto pode ser resumido em estresse mais coping. Desse modo, considera-se a originalidade própria das reações específicas ao agente estressor, superpostas às reações não específicas do estresse, criando a diversidade dos aspectos clínicos.


Em 1936, Hans Selye, descobridor do estresse, publicou os seus primeiros trabalhos sobre o assunto. Em 1950, descreveu a Síndrome Geral de Adaptação - Reação de Alarme, estágio de Resistência e de Exaustão - com seus aspectos bioquímicos e endócrinos, mostrando qual a reação não específica do organismo às agressões do mundo exterior. Para ele, a intensidade da demanda, a duração e a repetição determinam a resposta. E condiciona o bom ou o mau estresse à eficiência ou não da fase de adaptação. Para Selye, todo indivíduo tem um capital de energia biológica diferente e pode consumir suas reservas conforme tenha maus estresses.
Na reação de alarme, a primeira resposta do organismo ao estresse, entra em ação o sistema hipotálamo-simpático-adrenérgico que prepara o organismo para a luta ou fuga. Entram em jogo a adrenalina e a noradrenalina, com isso, há muita produção de glicogênio, taquicardia, respiração acelerada, concentração do sangue nos vasos principais e nos músculos estriados, inibição dos sistemas digestivo, sexual e imunológico.


Depois disso, outro sistema vai entrar em jogo, o hipotálamo - hipófiso-suprarrenal com produção de ACTH e corticóides.


Esses sistemas entram em funcionamento na fase de reação e o organismo pode sofrer esgotamento ou entrar na fase de exaustão, tendo como resultado final doença e morte. São inúmeras as doenças de adaptação, entre elas, hipertensão, úlcera, hemorróidas, ataques cardíacos, acidente vascular cerebral, diabetes, enxaqueca, etc.


Hoje, como avanço dos estudos, considera-se o sistema limbo-hipotálamo-hipófiso-suprarrenaliano (LHHS). Através do hipotálamo na zona parvocelular mediana do núcleo paraventricular (NPV), são liberados o CRF, o Fator de liberação corticotrófico (Corticotrophin Releasing Factor) e a Argenina Vasopressina (AVP) - que determinam a liberação de ACTH pela hipófise e esta o cortisol pela suprarrenal.


Com vemos, o estresse está ligado ao centro das emoções no hipotálamo, assim é importante o estudo de fatores como o medo, a raiva, etc, nos seus mecanismos e reações. Assim, quando o indivíduo sente raiva, por exemplo, é como se ele estivesse diante de um predador, de um perigo iminente e isto desencadeia a reação.

Como vimos, cada indivíduo tem uma reação específica frente ao estresse. Ele coloca suas estratégias de ajuste cognitivas e comportamentais, o "coping", para fazer face aos agentes estressores.


As pesquisas têm demonstrado que doenças como depressão estão absolutamente ligadas ao estresse. Investigação ampla, realizada em 52 países, da qual participou o dr. Alvaro Avezum, do Brasil, acerca dos fatores de risco da doença cardíaca, demonstrou que os psico-sociais entram em mais de 30% dos casos.
O estresse é o campo da medicina que reunifica corpo e alma. O seu estudo está, portanto, intimamente ligado à espiritualidade.


Segundo as lições espirituais dadas em 1947, no livro No Mundo Maior, o nosso cérebro tem três áreas distintas: a inicial, onde habita o automatismo e que está no plano subconsciente, a do córtex motor que engloba as conquistas do hoje e está na área do consciente e a dos lobos frontais que representam o ideal e a meta superiores e estão vinculados ao superconsciente. Esta classificação encontra respaldo no livro de Paul Maclean, de 1968, The Triune Brain in Evolution, que nos fala acerca dessas três regiões, afirmando que vemos o mundo através de três cérebros distintos.
Aprendemos também com os Instrutores Espirituais que somos seres em evolução. Quanto mais perto nos encontramos da animalidade mais agimos com instintos e sensações. Com o passar do tempo, e a evolução espiritual conseqüente, passamos a ter sentimentos, sendo o amor, o mais sublimado deles.


Se estamos escravizados aos instintos, a maneira pela qual fazemos face aos fatores estressantes é muito primitiva e resulta quase sempre em um mau estresse.


Aprendemos também que é preciso humildade para vencer a animalidade inferior. Infelizmente, porém, em nossas relações em sociedade e no lar estamos muito longe desse sentimento sublime que está intimamente ligado ao amor.
Assim, a fé é importante porque abre as portas do coração para sentir e viver o amor divino em nossas vidas. Através da oração, da meditação, da compreensão do valor da dor, temos a possibilidade de conhecermo-nos a nós mesmos e a reagirmos de forma mais equilibrada às tensões da existência humana. Compreendemos, igualmente, que é preciso treino para o perdão e para eliminação da raiva, da inveja, da mágoa e de outros sentimentos negativos.
A nossa busca da paz para viver no lar, no ambiente de trabalho, dentro da sociedade tem de ser centralizada em Jesus, o Médico da Almas, que afirmou ter a paz verdadeira para nos oferecer. Chico Xavier disse com muita sabedoria: "A paz em nós não resulta de circunstâncias externas e sim da nossa tranqüilidade de consciência no dever cumprido." Para vencer positivamente o estresse é preciso guardar a paz, tê-la como patrimônio. E esta pacificação interior que é responsável pelo sucesso do "Coping", só será uma conquista definitiva quando houver harmonia entre os três cérebros. Para isso, no entanto, é imprescindível não esquecer que é preciso fé em Deus e obediência às Suas Leis.


* Dra. Marlene Nobre é presidente da Associação Médico Espírita do Brasil e Internacional





Razões para ser contra o aborto do anencéfalo




À primeira vista, pode parecer que as razões contrárias ao abortamento provocado sejam exclusivamente da alçada da religião. Uma reflexão mais acurada, porém, demonstrará que elas têm raízes profundas na própria ciência. Assim, para sermos fiéis à verdade e discutirmos, sem as amarras obliterantes do preconceito, a complexa e multifacetada questão dos direitos do embrião, é indispensável analisarmos os argumentos científicos contrários ao aborto.






O primeiro passo nessa busca é a descoberta do verdadeiro significado do zigoto à luz das Ciências da Vida.






Para Moore e Persaud ( 2000, p. 2), "o desenvolvimento humano é um processo contínuo que começa quando o ovócito de uma mulher é fertilizado por um espermatozóide de um homem. O desenvolvimento envolve muitas modificações que transformam uma única célula, o zigoto (ovo fertilizado) , em um ser humano multicelular". Ainda segundo os ilustres embriologistas, o zigoto e o embrião inicial são organismos humanos vivos, nos quais já estão fixadas todas as bases do indivíduo adulto. Sendo assim, não é possível interromper qualquer ponto do continuum - zigoto, feto, criança, adulto, velho - sem causar danos irreversíveis ao bem maior, que é a própria vida.






Mas há muito mais sobre o zigoto. É impossível deixar de reconhecer que é uma célula extremamente especializada, que passou pelo buril do tempo, herdeira de bilhões de anos de evolução. Dos cristais minerais ao ser humano, as células primitivas passaram por um longo e extraordinário percurso, desde os procariontes ao eucariontes, dos seres mais simples aos mais complexos, até surgirem, magníficas, nas múltiplas especializações dos órgãos humanos. E a célula-ovo é um dos exemplos mais admiráveis , porque encerra em si mesma, potencialmente, todo o projeto de um novo ser, que é único e insubstituível.






Nesse sentido, a investigação sobre a estrutura do zigoto nos leva necessariamente à discussão sobre a origem da vida e seu significado científico, com todas as conseqüências disso para discussões bioéticas, morais, políticas e religosas. Não será possível retomar aqui toda a argumentação desenvolvida em O Clamor da Vida (NOBRE, 2000) , de modo que apresentarei unicamente alguns dos pontos centrais envolvidos.






Reconhecemos o grande valor da Teoria Neodarwiniana e de seus pressupostos básicos - a evolução das espécies, a mutação e a seleção natural - já comprovados pela investigação científica. Ela, porém, tem se revelado insuficiente para explicar a evolução como um todo, porque tem no acaso um dos seus pilares. O mesmo acontece com todas as outras teorias que buscam complementá-la, mantendo a mesma base explicativa, como as de Orgel, Eigen, Gilbert, Monod, Dawkins, Kimura, Gould, Kauffman. Demonstrou-se, por exemplo, através de cálculos matemáticos, a impossibilidade estatística (101000contra um) de se juntar , ao acaso, mil enzimas das duas mil necessárias ao funcionamento de uma célula. Do mesmo modo, já se constatou que o acaso é insuficiente para explicar, passo a passo, de forma detalhada, científica, o surgimento de estruturas complexas, como o olho, o cílio ou flagelo, a coagulação sanguínea.






Por isso, acreditamos que a Teoria do Planejamento Inteligente, que não tem por base o acaso e é defendida por cientistas competentes, como o bioquímico Michael Behe, a bióloga Lynn Margulis, e os físicos Ígor e Grischka Bogdanov, possui argumentos científicos bem mais sólidos para explicar a evolução dos seres vivos. Behe, em seu livro A Caixa Preta de Darwin, afirma que não importa o nome que se lhe dê, mas, para ele, indiscutivelmente, a vida tem um Planejador. Esta mesma conclusão está em Deus e a Ciência, obra de J. Guitton e dos irmãos Bogdanov. Na mesma linha de raciocínio, Margulis e Sagan (2002, p. 289) afirmam: "nem o DNA nem qualquer outro tipo de molécula, por si só, é capaz de explicar a vida".






Esses autores foram buscar suas argumentações científicas no estudo da extraordinária maquinaria celular; no jogo de convenções inexplicáveis, como as ligações covalentes, a estabilização topológica de cargas, a ligação gene-proteína, a quiralidade esquerda dos aminoácidos e direita dos açúcares; como também , nos cálculos matemáticos das enzimas celulares e na análise de estruturas complexas, já referidos. Enfim, um mundo de complexidade, que não pode ser reduzido à simples obra do acaso.






O fato é que o cientista nem de longe nem de perto tem conseguido "fabricar" moléculas da vida. Ele desconhece, portanto, como reproduzir , em laboratório, as forças que entram em jogo neste intrincado fenômeno. Nessas circunstâncias, deveria adotar uma atitude mais humilde, mais reverente, diante desse bem maior que é concedido ao ser humano, o de viver.


Pois a cada dia chegam novos aportes científicos para a compreensão da verdadeira natureza do embrião. Descobertas recentes, feitas pela neurocientista Candace Pert e equipe, demonstram que a memória estaria presente não somente no cérebro, mas em todo o corpo, através da ação dos neuropeptídeos, que fazem a interconexão entre os sistemas - nervoso, endócrino e imunológico - , possibilitando o funcionamento de um único sistema que se inter-relaciona o tempo todo, o corpo-cérebro.






Outras pesquisas já detectaram a presença, no zigoto, de registros ("imprints") mnemônicos próprios, que evidenciam a riqueza da personalidade humana, manifestando-se , muito cedo, na embriogênese. São também notáveis as pesquisas da dra. Alessandra Piontelli e demais especialistas que têm desvendado as surpreendentes facetas do psiquismo fetal, através do estudo de ultra-sonografias, feitas a partir do 4º mês de gestação, e do acompanhamento psicológico pós-parto, até o 3º ou 4º ano de vida da criança. O conjunto destes e de outros trabalhos demonstra a competência do embrião: capacidade para autogerir-se mentalmente, adequar-se a situações novas; selecionar situações e aproveitar experiências.






Se unirmos a Teoria do Planejamento Inteligente a essas novas descobertas, vamos concluir, baseados na Ciência , que a vida do embrião não pertence à mãe, ao pai, ao juiz, à equipe médica, ao Estado. Pertence, exclusivamente, a ele mesmo, porque a vida é um bem outorgado, indisponível.






Há, pois, fortes razões científicas, para ser contra o aborto, mesmo o do anencéfalo.






Aprendemos, com a genética, que a diversidade é a nossa maior riqueza coletiva. E o feto anômalo, mesmo o portador de grave deficiência, como é o caso do anencéfalo, faz parte dessa diversidade. Deve ser, portanto, preservado e respeitado.


Reconhecemos que a mulher que gera um feto deficiente, precisa de ajuda psicológica por longo tempo; constatamos, porém, que, na prática, esse direito não lhe é assegurado. Sem ajuda para trabalhar o seu sentimento de culpa, ela pode exacerbá-lo pela incitação à violência contra o feto, e mesmo permanecer nele, por tempo indeterminado. Seria importante que se inclinasse seu coração à compaixão e à misericórdia, mostrando-lhe o real significado da vida.



Referências:

BEHE, Michael, A Caixa Preta de Darwin, O desafio da bioquímica à teoria da evolução, Rio de Janeiro: Jorge Zahar, 1997

GUITTON, Jean, BOGDANOV, Igor e Grichka, Deus e a Ciência, Rio de Janeiro: Nova Fronteira, 1992

MARGULIS, Lynn, SAGAN, D, O Que é Vida?, Rio de Janeiro: Jorge Zahar Ed., 2002

MOORE, Keith L. e PERSAUD, T.V.N., Embriologia Clínica, Rio de Janeiro: Guanabara Koogan, 2000

NOBRE, M., O Clamor da Vida, São Paulo: Editora FE, 2000



* Dra. Marlene Nobre é Médica Ginecologista, CREMESP 10304, Presidente da Associação Médico-Espírita do Brasil e Internacional.




quarta-feira, 18 de maio de 2011

O ser humano, encarnado ou desencarnado, vive no clima da emoção, pressionado ou sustentado por ela, levado por ela às furnas mais profundas da dor e da revolta, ou alçado aos píncaros da felici­dade e da paz.


O ser humano, encarnado ou desencarnado, vive no clima da emoção, pressionado ou sustentado por ela, levado por ela às furnas mais profundas da dor e da revolta, ou alçado aos píncaros da felici­dade e da paz. Ela nos afeta, mesmo quando, ocasionalmente, pa­rece não existir em nós. É oportuno lembrar que emoção, etimo­logicamente, quer dizer ato de deslocar, ou seja, mover. Arrastado pela emoção, o Espírito se desloca, num sentido ou noutro, cami­nhando para as trevas de sofrimentos inenarráveis ou subindo para os planos superiores da realização pessoal, segundo ele se deixe dominar pelo ódio ou se entregue ao amor. Esse deslocamento o conduz a extremos de paixão, que o esmaga, ou a culminâncias de devotamento, que o santifica, e, muitas vezes, em estágios ainda inferiores da evolução, confunde-se em nós a realidade ódio/amor, e nos confundimos nela e com ela, porque é comum tocarem-se os extremos.



O trabalho de desobsessão não deve ignorar essa realidade. Freqüentemente, o processo da desobsessão se desencadeia, de ma­neira paradoxal, por amor, e é lembrando esse aspecto que conse­guimos, às vezes, ajudar os Irmãos, que se atormentam mutuamente, a colocarem um ponto final nas suas angústias. O que acontece éque temos em nós todos o instinto egoísta — e quase todos os instintos são egoístas — de conservar a posse total do objeto de nossa preferência ou afeição: a esposa, o esposo, o filho, o dinheiro, a posição social, o poder. Suponhamos que a esposa nos traia, que o filho nos rejeite, que o dinheiro ou o poder nos sejam arrebatados.


Passamos imediatamente a odiar os que nos privaram da posse daquilo que amamos ou valorizamos. Com isto, percebemos que amor e ódio são duas faces de uma só realidade, luz e som­bra, que em determinado ponto absorveram-se uma na outra, criando uma opressiva atmosfera de penumbra, na qual perdemos a visão dos caminhos e o senso da direção. Para desfazer esse clima de crepúsculo, que agonia e desorienta o Espírito, é preciso ajudá-lo a identificar bem seus sentimentos, a fim de separá-los. Estejamos certos, para isso, de uma realidade indisputável, ainda que pouco percebida: o amor, como dizia Paulo aos Coríntios, não acaba nunca. Mesmo envolvido, soterrado no rancor e na vingança, ele subsiste, sobrevive, renasce, está ali. O ódio não o exclui; ao contrário, fixa-o ainda mais, porque em termos de relacionamento homem/mu­lher, o ódio é, muitas vezes, o amor frustrado. Odiamos aquela criatura exatamente porque parece que ela não quer o nosso amor, porque nos recusa, nos traiu, nos desprezou, porque a amamos...


No momento em que conseguimos convencer o companheiro desencarnado, em crise, que ele odeia porque ainda ama, ele co­meça a recuperar-se, compreendendo que essa é uma verdade com a qual ele ainda não havia atinado. Por mais estranho que pareça, o rancor contra a amada, ou o amado, que traiu ou aban­donou, é que mantém acesa a chamazinha da esperança. Aquele que deixou de amar é porque não amou bastante e, com menor dificuldade, desliga-se do objeto de sua dor. Cedo compreende que não vale a pena perder seu tempo, e angustiar-se no doloroso pro­cesso de vingar-se, dado que — e isto também pode parecer con­traditório — não podemos ignorar o fato de que a vingança impõe, também ao vingador, penosas vibrações de sofrimento.


Vários casos assim temos encontrado na experiência de nossos grupos.


Um desses foi comovente. O Espírito manifestante era de uma mulher. Seu antigo companheiro, ora encarnado, fazia parte de nosso grupo e ela ainda trazia em seu coração um rancor que 130 anos não conseguiram extinguir. Fora muito bela, inteligente, de elevada posição social, e rompera com todas as convenções da época para segui-lo. E por mais de um século, recolhida ao mundo espiritual, achara que não valera a pena o seu sacrifício e que ele não dera valor às suas renúncias e nem as merecera.


Foi muito difícil o diálogo com ela. Tudo foi tentado pelos nossos queridos amigos espirituais. Levaram-na a um encontro com ele desdobrado pelo sono — a um local, na Europa, onde vi­veram momentos de intensa felicidade e enlevo. Ajudavam, como podiam, o doutrinador, nos seus esforços. Ela era muito brilhante e estava muito magoada: tinha respostas oportunas, encontrava em si mesma todas as justificativas para continuar agindo daquela ma­neira. Afinal de contas, não pensara noutra coisa, por mais de um século! Promoveram, os benfeitores espirituais, encontros com um fi­lho que o casal tivera naquela ocasião e que se encontrava também no mundo espiritual, bastante pacificado e dedicado ao trabalho construtivo. Reencontrou-se ela, também, com outra filha — esta reencarnada — à qual se dirigia com carinho e afeição, através do médium. Nada. Certa vez, em lugar de ligá-la ao seu médium ha­bitual, ligaram-na com o próprio companheiro, objeto de seus ran­cores, pois ele também dispunha de excelentes faculdades mediú­nicas. Quando ela percebeu que falava por seu intermédio, reti­rou-se prontamente, muito chocada. De outras vezes, ele tentou dialogar com ela, mas a experiência foi negativa, pois a sua palavra parecia exacerbar o rancor que a infelicitava.


Esse drama durou meses, semana após semana. E ela, irredu­tível. Certa vez, sentindo que começava a ceder aos argumentos ou aos sentimentos de afeição que colhia no grupo, ela desligou-se subitamente do médium. Nossos benfeitores, por doce constrangi­mento, trouxeram-na de volta, já em pranto. Ela veio indignada, revoltada, falando entre lágrimas:


— Quando vai terminar esta farsa?


Pacientemente, o doutrinador lhe devolveu a pergunta com outra:


— Você acha, minha querida, que suas lágrimas também são uma farsa?


Estava chegando ao fim de sua longa e penosa agonia Íntima. Começou a ceder, à medida em que o amor reacendia a sua chama, a princípio timidamente, e depois, com todo o vigor antigo, mas agora purificado, expurgado da paixão que fora a sua perda. Aca­bou por reconciliar-se com o seu antigo amado.


Esta história, tão verídica e dramática quanto a própria vida, teve um final emocionante e, graças a esse episódio, vivi uma das mais belas e comovedoras emoções da minha experiência no trato com os Espíritos.


Certa noite, ela veio apenas para despedir-se. O drama e a dor estavam encerrados. Agora, era a retomada da trilha evolutiva, a perspectiva de novas experiências redentoras: a querida irmãzinha preparava-se para reencarnar-se, perfeitamente reconciliada com a vida e com o amor. Foi-nos permitido identificá-la na nova encar­nação que se iniciava sob tão belos auspícios e tão gratas alegrias para todos aqueles que a amavam.


Renasceu. Uma bela criança, em lar feliz e equilibrado. Logo aos primeiros meses de sua nova existência, tive oportunidade de vê-la. Visitava eu a família, e a jovem mãe me chamou para ver a criança. Entramos no quarto em que ela dormia profundamente. A mãe acendeu a luz, sob meus protestos, pois temia que ela acor­dasse, mas ela continuou dormindo. Era linda, e dormiu ainda alguns segundos. Depois, abriu os olhinhos, contemplou-me — seu antigo doutrinador, com quem sustentou batalhas impetuosas — e me deu o prêmio inesperado de um belissimo sorriso... Em seguida, adormeceu novamente, como um anjo que era. Senti naquele sorriso a mensagem da paz e da gratidão. Seus olhinhos exprimiam felicidade e amor. Sua expressão me dizia, na linguagem inarti­culada da emoção:


— Ah! É você? Eu já estou aqui, amigo...


Sem dúvida alguma, o amor também renascera com ela. Seu antigo companheiro recebe dela, hoje, o amor transcendental da neta muito querida pelo avô, que mereceu também a bênção do reencontro e da reconciliação.


Miranda C.H.
(D. Sombras)




domingo, 15 de maio de 2011

Reflexão: Tristeza e auxilio. Se alguém se aproxima com ódio, é porque você tem o amor.


Quando alguém o busca com frio, é porque você tem o cobertor.

Se a tristeza empurra alguém para perto de você, é porque você tem o sorriso.
Se alguém chega com lágrimas, é porque você tem o lenço.
Se a dor impulsiona alguém em sua direção, é porque você tem o curativo.
Quando alguém se acerca com fome, é porque você tem o alimento.
E se o desânimo lhe aproxima um ser, é porque você tem o estímulo necessário.
Quando alguém chega em desespero, é porque você tem a serenidade.


Se alguém foge do tumulto e lhe busca a presença, é porque você tem a tranquilidade.


Quando alguém o procura com medo, é porque você tem a segurança.
Quando vem ao seu encontro um coração aflito, é porque você tem a calma.
E se alguém o busca com palavras, é porque você tem a capacidade de ouvir.
Quando lhe chega uma alma em conflitos, é porque você tem a temperança.
Se alguém se aproxima com ódio, é porque você tem o amor.
Se alguém lhe confidencia segredos, é porque você possui a discrição.
Se a mágoa lhe traz alguém, é porque você tem o perdão.
Se lhe apresentam a fantasia, é porque você tem a realidade.
Quando lhe trazem versos, é porque você tem a melodia.
Quando lhe estendem as mãos sangrando, é porque você tem o remédio.
Quando alguém lhe chega com a indecisão, é porque você conhece o rumo certo.
Quando alguém lhe chega com carências, é porque você tem a ternura.
E se alguém o busca com dúvidas, é porque você tem a fé.
Quando alguém se aproxima com passos vacilantes, é porque você tem a firmeza.
Se alguém se apresenta com a vontade paralisada, é porque você tem o dinamismo.
Quando alguém chega com a mente confusa, é porque você tem a lucidez.
E se alguém se aproxima com os braços abertos, é porque você tem o abraço.
E, por fim, quando alguém lhe apresenta um frasco vazio, é porque você tem o perfume.
Por todas essas razões, nunca deixe alguém que o busca partir sem uma resposta, pois ninguém chega até você por acaso.
Ainda que você pense que nada possui para oferecer, isso não é verdade. Se alguém lhe apresenta uma necessidade qualquer, mesmo que velada, é porque você tem algo para oferecer.


Pense nisso! Filho. 
                                          

De tudo o que Deus criou e que existe no mundo, o mais importante está dentro de você.
São as suas virtudes de esperança, otimismo, coragem, confiança e amor.
Essas qualidades devem brilhar para fazer a sua vida diferente.
Do desabrochar dessas virtudes latentes em seu íntimo, depende a felicidade de muitos.
Deixe-as fluir de dentro de você como um pássaro livre, e perceberá que essa força divina espargirá paz ao seu redor, alcançando a todos aqueles que cruzam o seu caminho.

Um Espirito familiar .   ......................





 M. Espírita.


A religião, para muitos de nós representa mera formalidade social


Esmagadora percentagem dos habitantes do planeta, mergulhada na vida atribulada da atualidade, não está interessada nos problemas fundamentais da existência. A nossa prioridade tem sido a preocupação com os negócios, com a carreira profissional, com os prazeres, com os problemas particulares. Consideramos questões como a existência de Deus e a imortalidade da alma matéria de competência de sacerdotes, de ministros religiosos, de filósofos e teólogos.



Enquanto tudo vai bem em nossa vida, nem nos lembramos de que Deus existe e, quando lembramos, é apenas para fazer uma oração, ir ao templo, como se tais atitudes fossem simples obrigações, das quais todos temos que nos desincumbir de uma maneira ou de outra. A religião, para muitos de nós representa mera formalidade social, algo sem muito significado; no máximo, praticamos uma ¨ religião de fachada ¨, por desencargo de consciência, para estar de bem com Deus e com a sociedade.


Outros, inclusive, sequer têm firme convicção daquilo que professam, alimentando sérias dúvidas a respeito de Deus e da continuidade da vida após a morte. Quando, porém, somos surpreendidos por um grande problema, uma queda financeira desastrosa, a perda de um ente querido, uma decepção amorosa, uma doença incurável – fatos a que todos estamos sujeitos, sem exceção, - não encontramos em nós mesmos a fé necessária nem a compreensão para enfrentar o problema com coragem e resignação, caindo quase sempre, no desespero ou na apatia.


O conhecimento espírita abre-nos uma visão ampla e racional da vida, explicando-a de maneira convincente e permitindo-nos a iniciar uma transformação íntima, que nos aproxima de Deus. Esse processo de compreensão dos problemas da vida passa, invariavelmente, pelo conhecimento de nós mesmos (¨O Livro dos Espíritos¨, questão 919). Com a certeza da imortalidade, o homem trabalha, ama, espera, perdoa e se resigna; com a dúvida, impacienta-se, perde a perspectiva, por que nada espera do futuro.





Transcrito da obra ¨ ESPIRITISMO PASSA A PASSO COM KARDEC ¨ de Christiano Torchi, editada pela Federação Espírita Brasileira, 2ª edição, páginas 31 e 32.

LIDERANÇA SERVIDORA

Maria Elisabeth da Silva Barbieri

1. Jesus e o lava pés
Se alguém quiser ser o primeiro, seja o último de todos e o servo de todos” (Mc 9,35).


Liderar é servir.
Esta afirmativa decorre da proposta de Jesus para a condução e o treinamento de adeptos à sua doutrina, que atravessou séculos, sem perder a essência.
Ninguém de bom senso pode negar que a vida do mestre de Nazaré exerceu uma grande influência na história. Hoje, um terço da população do planeta, o equivalente a mais de dois milhões de habitantes identifica-se como cristão.


Nosso calendário mede a passagem do tempo desde o seu nascimento.
O Espiritismo não estabelece nenhuma nova ordem moral, mas facilita aos homens a compreensão e a prática da moral do Cristo, dando a fé inabalável e esclarecida àqueles que duvidam ou vacilam. EV, Cap 17, 4.


Em nossos núcleos doutrinários, onde o conhecimento espírita é ponto de partida para a renovação de posturas e hábitos, temos o ambiente propício para desenvolvê-la e usufruirmos dos benefícios que ela traz aos grupos onde é vivenciada.


James C. Hunther, autor do best seller O Monge e o Executivo, afirma que a sua tese sobre liderança servidora não é verdadeiramente sua, mas apenas ele a tomou emprestada de Jesus.


O líder servidor é aquele que transcende os limites do personalismo, abdicando das opiniões e pontos de vista em prol dos objetivos comuns. Aplica-se ao trabalho contínuo para viabilizar os resultados da sua equipe sem preocupar-se com o brilho individual.
Tem como meta prioritária a formação de novos líderes para a continuidade dos abençoados serviços no bem.


Também, tem o compromisso de promover a união de esforços, de sentimentos para a unificação de princípios, viga mestra que assegura a excelência do trabalho desenvolvido.
Citando Francisco Spinelli :“Aprendamos a servir, aumentando as nossas possibilidades de auxílio aos corações humanos, neste momento de tão grande significação para todos nós.


Unificação em teoria é exposição sem vitalidade
Unificação em prática é atividade doutrinária edificante.” ¹


Há muito tempo lidamos em nossos grupos e equipes com a realidade da evasão das pessoas que iniciam os estudos da doutrina, das deserções, dos conflitos, da escassez de recursos humanos e da dificuldade de formação de novos líderes.


Isto nos aponta para a necessidade de uma mudança de atitudes no que se refere ao processo de liderança, pessoas e relacionamentos.


Os métodos anteriores de condução, distribuição, administração do trabalho, que produziram bons resultados no passado, não atendem mais às necessidades de um Movimento Espírita com estrutura administrativa complexa, destinada a atender uma clientela que cresce em número e nível de exigência.
As avaliações sistemáticas ou não, que fazemos de nossas atividades ensejam a conclusão de que precisamos investir na melhoria contínua para a obtenção de resultados compatíveis com a grandeza da mensagem que veiculamos.


Adeptos mais esclarecidos, grupos mais unidos, ambientes doutrinários mais harmônicos, espírito de renúncia e trabalho mais acentuado, trabalhadores mais comprometidos e conscientes do seu papel na edificação das relações familiares, sociais, o crescimento do contingente de bons médiuns, multiplicação de voluntários nas tarefas de assistência e promoção social, são resultados que queremos atingir.


Porém, resultados diferentes somente são alcançados com ações diferentes. Fala-nos um estudioso do assunto: “Uma definição de insanidade é “continuar a fazer o que você sempre fez e esperar resultados diferentes” ²
A Doutrina Espírita que nos ensina a conviver com a realidade da impermanência, da evolução contínua em busca da perfeição oferta-nos todos os recursos para a mudança que necessitamos até porque ela não é senão a constante readequação de nossas posturas aos preceitos da Lei Divina, na medida em que nosso entendimento se amplia.
Lemos em O Livro dos Espíritos, questão 619: Deus deu a todos os homens meios de conhecer sua lei? – Todos podem conhecê-la, mas nem todos a compreendem; os que a compreendem melhor são os homens de bem e os que procuram pesquisá-la; entretanto, todos a compreenderão um dia, porque é preciso que o progresso se realize.


Comentários: A justiça das diversas encarnações do homem é uma conseqüência desse princípio, uma vez que a cada nova existência sua inteligência é mais desenvolvida e compreende melhor o bem e o mal. Se tudo devesse se cumprir numa única existência, qual seria a sorte de tantos milhões de seres que morrem a cada dia no embrutecimento da selvageria ou nas trevas da ignorância, sem que tivesse dependido deles o esclarecimento? (Veja as questões 171 e 222.)”


2. Definição de Liderança:
“Dá conta de tua administração” Lucas, 16:2
A habilidade de influenciar pessoas para trabalharem entusiasticamente, visando atingir objetivos comuns, inspirando confiança por meio da força do caráter.
Palavras-chave do conceito: habilidade, influência e caráter


Deste conceito decorrem, naturalmente, algumas conclusões:


Liderança não é apenas competência técnica (saber), liderança não é competência funcional ( fazer), liderança é saber ser.


Planejar, organizar, solucionar problemas, controlar, manter a ordem é o que fazemos, liderar é o que somos no desempenho do que fazemos.


Liderar é inspirar, pessoas, tocar-lhes a alma para envolve-las de forma que elas coloquem o seu coração, mente, criatividade a serviço de um objetivo.


“Apascenta as minhas ovelhas.” Jô, 21.17
3. Poder x Autoridade
Liderar é uma escolha. Quando nos oferecemos ou aceitamos liderar fazemos a primeira opção. A segunda escolha é se vamos liderar pelo poder ou pela autoridade.
Poder: é a faculdade de forçar ou coagir alguém a fazer a sua vontade, por causa de sua posição ou força, mesmo que a pessoa preferisse não fazer.
Autoridade: A habilidade de levar as pessoas a fazerem de boa vontade o que você propõe, por causa de sua influência pessoal. (Max Weber)


Nos perguntemos: O que Jesus, Gandhi, Madre Teresa de Calcutá, Martin Luther King Jr. tinham em comum?
A capacidade de liderança de todas essas figuras era marcada por uma característica: A falta de poder. Todos vieram de uma origem pobre, sem recursos, sem poder político ou financeiro .Porém todos eles geraram grandes mudanças em seus segmentos respectivos! Como?


A maioria das pessoas acredita que para mudar a vida dos outros ou a sua própria vida, é necessário ter grandes poderes, grandes conquistas, muitos recursos, só assim eles terão sua opinião ouvida.
O que esses grandes líderes ensinaram é que muitas vezes a Autoridade é maior que o Poder.
“Todo aquele que é depositário da autoridade, seja qual for em grau de importância, desde um senhor para com seu servidor até o soberano para com seu povo, não deve esquecer-se de que é um encarregado de almas e responderá pela boa ou a má orientação que der a seus subordinados. Vai arcar com as culpas das faltas que estes poderão cometer, dos vícios aos quais serão arrastados em conseqüência dessa orientação ou dos maus exemplos recebidos;” OS SUPERIORES E OS INFERIORES François, Nicolas, Madeleine, Cardeal Morlot - Paris, 1863- , EV, Cap 17,9


A autoridade de Jesus
4. Mas, o papel de Jesus não foi o de um simples legislador moralista, tendo por exclusiva autoridade a sua palavra. Cabia-lhe dar cumprimento às profecias que lhe anunciaram o advento; a autoridade lhe vinha da natureza excepcional do seu Espírito e da sua missão divina.³

Podemos fazer o seguinte exercício:
1.Pensemos em alguém vivo ou não, que exerceu autoridade sobre nós, (pai, mãe, professor, evangelizador, amigo, cônjuge, etc...);

2.Agora vamos listar as qualidades de caráter que essa pessoa possuía ou possui;

3.Então, vamos reduzir a lista para três qualidades essenciais para o desenvolvimento da autoridade com pessoas.

4. Agora comparemos se as qualidades que enumeramos, como indispensáveis para a conquista da autoridade, se assemelham a estas.


Honestidade, Paciência, Confiabilidade, Bom Exemplo, Cuidado, Compromisso, Bom Ouvinte, Tratar as pessoas com respeito, Encorajar as pessoas, Atitude positiva, Entusiasmo, Gostava das pessoas, Humildade, Dedicação.


Destas qualidades, quais são aquelas com que nós nascemos?
Quantos destes comportamentos nos exibimos em nossa vida neste momento?


Neste ponto da nossa reflexão começamos a descobrir que não precisamos ter um diploma para sermos líderes servidores, nem termos em nossa bagagem genética o DNA da liderança, mas precisamos ter um coração generoso e uma alma movida pelo Amor.


“ Espíritas, amai-vos este o primeiro mandamento, instruí-vos eis o segundo.” Espírito de Verdade.
Servir exige sacrifício do ego, do orgulho, da sede de poder, do desejo de sermos admirados, do péssimo hábito de querermos ter todas as respostas.


Quando servimos temos que perdoar, pedir desculpas, darmos uma segunda chance, corrermos o risco de sermos rejeitados, mal interpretados e até usados em certas ocasiões.


Pagaremos o preço da liderança servidora?
Vale a pena porque em nenhum lugar nós podemos fazer mais diferença na vida das pessoas e na trajetória das instituições, dos grupos, das comunidades, do que quando estivermos na posição de liderança.


4. Liderança e Amor.


“Espíritas! amai-vos, este o primeiro ensinamento; instruí-vos este, este o segundo. “EV, 6, Instrução dos Espíritos, Espírito de Verdade, 1860.


“Há quase dezoito séculos, São Francisco de Assis pediu aos seus seguidores que pregasse o Evangelho em todas as ocasiões, mas só usassem palavras quando fosse necessário”


Na epístola de Paulo aos Coríntios, capítulo 13 encontramos a proposta de amor ação, que se destina a atender às necessidades do próximo e não apenas um amor emocional, que expresse sentimentos; um amor que se traduza na forma como nos comportamos em relação aos outros.


Tudo na vida gira em torno dos relacionamentos, com Deus, conosco, com os outros.


Os modelos tradicionais de liderança preocupam-se com a execução das tarefas, com a obtenção dos resultados e descuidam dos relacionamentos.
A ausência de foco na forma de construir e preservar as relações humanas tem comprometido a qualidade da tarefa e impedido a formação de equipes saudáveis e produtivas nos núcleos doutrinários.
Quando listamos as qualidades indispensáveis à aquisição da autoridade, estamos afirmando a lição de Jesus, de Paulo de Tarso e também reconhecendo a essência da liderança.
O elenco das qualidades enumeradas também representa o verdadeiro significado do caráter


A página esclarecedora, contida no Capítulo 17 do Evangelho Segundo o Espiritismo “O Homem de bem”, alinha com as considerações aqui expendidas sobre a Liderança Servidora “Encontra satisfação nos benefícios que distribui, nos serviços que presta, nas alegrias que proporciona aos seus semelhantes, nas lágrimas que seca, nas consolações que leva aos aflitos. Seu primeiro impulso é o de pensar nos outros antes de si, acudir aos interesses dos outros antes de procurar os seus.”


Liderar é identificar e satisfazer necessidades.
Vontades: São anseios que não consideram as conseqüências físicas, psicológicas e espirituais daquilo que se deseja.


Necessidades: è uma legítima exigência física, psicológica ou espiritual para o bem-estar do ser humano.


Desafie os participantes dos seus grupos de ESDE, grupos mediúnicos, equipes de trabalho na Casa Espírita a fazerem uma lista das necessidades. Analise com elas, se realmente são necessidades ou vontades. Se são necessidades, quais as conseqüências do atendimento ou não destas necessidades? Quais os caminhos que são possíveis para atender as necessidades?

Ter em mente a pirâmide das necessidades humanas proposta por Abraham Maslow.



Sede perfeitos



BIBLIOGRAFIA

1. Franco. Divaldo Pereira/Diversos espíritos.Sementeira da Fraternidade Salvador Livraria espírita Alvorada – Francisco Spinelli

2. Hunther. James C. / Como se tornar um Líder Servidor.- Os princípios da Liderança de O Monge e o Executivo. Rio de Janeiro Editora Sextante.

3. Kardec. Allan, Evangelho Segundo o espiritismo,Não vim destruir a Lei.

4.Kardec.Allan, Evangelho Segundo o Espiritismo, A afabilidade e a doçura

quarta-feira, 11 de maio de 2011

O que é isto — a filosofia?


Os pensadores gregos, Platão e Aristóteles, chamaram a atenção para o fato de que a filosofia e o filosofar fazem parte de uma dimensão do homem, que designamos dis-posição (no sentido de uma tonalidade afetiva que nos harmoniza e nos convoca por um apelo).



Platão diz: (...)“É verdadeiramente de um filósofo este páthos — o espanto; pois não há outra origem imperante da filosofia que este”.


O espanto é, enquanto páthos, a arkhé da filosofia. Devemos compreender, em seu pleno sentido, a palavra grega arkhé. Designa aquilo de onde algo surge. Mas este “de onde” não é deixado para trás no surgir; antes, a arkhé torna-se aquilo que é expresso pelo verbo arkhein, o que impera. O pó do espanto não está simplesmente no começo da filosofia, como, por exemplo, o lavar das mãos precede a operação do cirurgião. O espanto carrega a filosofia e impera em seu interior.


Aristóteles diz o mesmo: (espanto os homens chegam agora e chegaram antigamente à origem imperante do filosofar” (àquilo de onde nasce o filosofar e que constantemente determina sua marcha).


Seria muito superficial e, sobretudo, uma atitude mental pouco grega se quiséssemos pensar que Platão e Aristóteles apenas constatam que o espanto é a causa do filosofar. Se esta fosse a opinião deles, então diriam: um belo dia os homens se espantaram, a saber, sobre o ente e sobre o fato de ele ser e de que ele seja. Impelidos por este espanto, começaram eles a filosofar. Tão logo a filosofia se pôs em marcha, tornou-se o espanto supérfluo como impulso, desaparecendo por isso. Pôde desaparecer já que fora apenas um estímulo. Entretanto: o espanto é arkhé — ele perpassa qualquer passo da filosofia. O espanto é páthos. Traduzimos habitualmente páthos por paixão, turbilhão afetivo. Mas póthos remonta a páskhein, sofrer, agüentar, suportar, tolerar, deixar-se levar por, deixar-se con-vocar por. É ousado, como sempre em tais casos, traduzir páthos por dis-posição, palavra com que procuramos expressar uma tonalidade de humor que nos harmoniza e nos con-voca por um apelo. Devemos, todavia, ousar esta tradução porque só ela nos impede de representarmos páthos psicologicamente no sentido da modernidade. Somente se compreendermos páthos como dis-posição (dis-position) podemos também caracterizar melhor o thaumdzein, o espanto. No espanto detemo-nos (être en arrêt). É como se retrocedêssemos diante do ente pelo fato de ser e de ser assim e não de outra maneira. O espanto também não se esgota neste retroceder diante do ser do ente, mas no próprio ato de retroceder e manter-se em suspenso é ao mesmo tempo atraído e como que fascinado por aquilo diante do que recua. Assim o espanto é a dis-posição na qual e para a qual o ser do ente se abre. O espanto é a dis-posição em meio à qual estava garantida para os filósofos gregos a correspondência ao ser do ente.


(Heidegger, O que é isto — a filosofia?, in Col. Os Pensadores, São Paulo, Abril Cultural, 1973, p. 219.)

Reflexões de :Platão, Aristóteles, Paul Valéry, Jean-Paul Sartre.


Platão



1. Por vítimas de agressão, entendo aqueles que mudam de opinião pelo pesar ou pela dor. Por vítimas de doença, entendo aqueles que mudam de opinião seduzidos pelo prazer ou aterrorizados pelo medo.


2. Quem comete uma injustiça é sempre mais infeliz que o injustiçado.


3. Não há nada de errado com aqueles que não gostam de política, simplesmente serão governados por aqueles gostam.


4. Os olhos do espírito só começam a ser penetrantes quando os do corpo principiam a enfraquecer.






Aristóteles


1. Pessoas inteligentes aprendem com seus inimigos.


2. A coragem é a primeira das qualidades humanas porque garante todas as outras.


3. A inteligência é a insolência educada.


4. As pessoas dividem-se entre aquelas que poupam como se fossem viver para sempre, e aquelas que gastam como se fossem morrer amanhã.


5. Ter muitos amigos é não ter nenhum.






Paul Valéry


1. Quem não pode atacar o argumento ataca o argumentador.


2. Se a regra é a desordem, pagarás por instituir a ordem.


3. O número dos nossos inimigos varia na proporção do crescimento da nossa importância; acontece o mesmo com o número dos amigos.


4. Peça desculpas quando agir bem; nada fere tanto.


5. Os homens se diferenciam pelo que mostram e se parecem pelo que escondem.






Jean-Paul Sartre


1. Detesto as vítimas quando elas respeitam os seus carrascos.


2. O importante não é aquilo que fazem de nós, mas o que nós mesmos fazemos com o que os outros fizeram de nós.


3. Quando os ricos fazem a guerra, são sempre os pobres que morrem.


5. Um amor, uma carreira, uma revolução: tantas coisas que começam sem saber como acabarão.


Enviada pela amiga Ivone Medeiros.

Para Refletir: Traumas Afetivos. Relacionamentos Eventuais."Amores"


A mídia costuma divulgar as grandes tragédias coletivas, como enchentes e guerras.

Ela também trata com frequência de eventos ruidosos, a exemplo de assassinatos, assaltos e outros crimes violentos.
Entretanto, há um gênero de conduta discreta e bastante comum, que causa enorme número de vítimas.


Trata-se das lesões afetivas.
As relações humanas nem sempre se estabelecem com o critério desejável.
Movidas por carências ou mesmo por leviandade, as criaturas estabelecem vínculos sem grandes reflexões.
Elas se conhecem em variados ambientes, como no trabalho, em clubes, em bares ou mesmo pela internet.
Sem indagar da existência de real afinidade, permitem-se importantes intimidades.
O conhecimento da essência de alguém demanda tempo e convivência.
Ninguém se mostra como é em rápidos e reduzidos contatos.
Por conta da afoiteza em estabelecer vínculos, é comum o desespero em extingui-los.
Nesse jogo de conhecer, provar e descartar, as pessoas são tratadas como objetos.
Contudo, o ser humano sempre é merecedor de respeito.


Por mais que se apresente frágil e lamentável, em seus hábitos, trata-se de uma criatura de Deus.
A ninguém é lícito iludir o semelhante.
Por vezes, a criatura a quem se experimenta, no jogo dos sentidos, possui graves problemas íntimos.
Como enferma emocional, deveria ser alvo dos maiores cuidados.


Quem a despreza assume grave responsabilidade em face da vida.
As angústias que a vítima vivenciar, os atos que vier a praticar a partir dos maus tratos recebidos, serão debitados a quem lhes deu causa.


É muito importante refletir a respeito das expectativas que se suscita no semelhante.
Pouco importa que os costumes sociais sejam corrompidos e que condutas levianas pareçam comuns.


Cada um responde pelo que faz.
Quem lesiona afetivamente o semelhante vincula-se a ele.
Na conformidade da ordem cósmica, a consideração e a fraternidade devem reger o relacionamento humano.
Aquele que se afasta desses critérios candidata-se a importantes padecimentos.
Trata-se da vida a ministrar os ensinamentos necessários para a educação de cada Espírito.
Assim, ninguém lesa o semelhante sem se lesar também.
Quem provoca sentimentos de inferioridade e rejeição desenvolve complexos semelhantes.
Até que repare o mal que causou, não terá paz e nem plenitude.

Se forem muitas as lesões afetivas perpetradas, imenso será o esforço necessário para cicatrizá-las.
Convém refletir sobre isso, antes de iniciar e terminar relações, sem maiores critérios.
Afinal, será preciso reparar com esforço todo o prejuízo causado com leviandade.

M. Epirita

domingo, 8 de maio de 2011

A Falta de Aguá no Mundo, Nos Proximos 50 anos o consumo de água deverá superar a quantidade disponível para o uso.


Não existe vida sem água


A vida, como nós a conhecemos, não existe sem água. Todos os organismos contêm água, que aparece como o constituinte químico mais abundante na célula, participando diretamente dos principais processos vitais. É so lembrar que na fotossíntese, processo básico da vida, o gás carbônico e a água são usados para a síntese de glicose, o principal alimento energético da célula.


A quantidade de água disponível


Uma das questões mais preocupantes para o mundo, na atualidade, é a quantidade de água disponível tanto para a vida humana, quanto para a economia. Tal preocupação, aparentemente contraditória, é real quando comparamos as quantidades de água existente e disponível. A contradição reside no fato de que 70% da superfície da Terra é coberta por água, atingindo um volume de 1,5 milhões de km2. Mas é preciso lembrar que 98% dessa água é salgada e imprópria para o uso, a menos que seja dessalinizada, processo oneroso demais para suprir grandes populações. Dos restantes 2% de água doce, boa parte aparece retida, na forma de gelo, em calotas polares ou então na forma de águas subterrâneas. Conclusão: apenas cerca de 0,44% da água do planeta Terra aparece em disponibilidade para os seres vivos.






O ciclo da água


Entre a atmosfera e a Terra, a água realiza, há milhões de anos, um trajeto conhecido como ciclo da água que pode ser dividido em curto e longo. No primeiro, a água existente na atmosfera ou neve. Com a precipitação a água pode cair diretamente no oceano ou cair na Terra e atingir o oceano através de rios e lençóis freáticos. Durante essas etapas parte da água é evaporada para a atmosfera e condensada na forma de nuvens, repetindo o ciclo. No ciclo longo, também conhecido como ciclo biogeoquímico, entre a atmosfera e a terra interpõem-se os seres vivos, obtendo e eliminando água. As plantas retiram água do solo, absorvendo-a através das raízes, enquanto que a maioria dos animais a ingere. Uma parte da água absorvida ou ingerida é incorporada à estrutura desses organismos e volta ao meio ambiente quando eles sofrem a decomposição.


Plantas e animais terrestres, continuamente, perdem água para a atmosfera: as plantas, através da transpiração, exercida principalmente pelas folhas; os animais, através da pele e pelos sistemas digestivo, respiratório e urinário.


Assim, toda a água incorporada por um ser vivo acaba voltando para a atmosfera.


A crise da água


O crescimento desordenado das cidades gera dois graves problemas: poluição e consumo. A poluição é determinada pelo lançamento e acúmulo, nas águas, de esgotos domésticos e despejos industriais. Uma vez poluída, a água não pode ser consumida, afetando a saúde humana, bem como as outras formas de vida. É evidente que a poluição hídrica é intensificada com o aumento da pobreza. Sabemos que em regiões pobres, normalmente situadas na periferia das grandes cidades, os esgotos sanitários e o lixo doméstico, sem qualquer tratamento, são diretamente lançados em águas. Estudos feitos pela UNESCO mostram que, desde o começo do século, o consumo d’água aumenta numa proporção de duas vezes o crescimento populacional.


A previsão é de que, nos próximos 50 anos, o consumo de água deverá superar a quantidade disponível para o uso.


Como prevenir a crise da água?


Existem inúmeras medidas que, se forem tomadas, reduzirão em muito o consumo de água; entre as principais podemos citar:


1.economizar água evitando o desperdício;


2.saneamento básico, ou seja, tratamento dos esgotos domésticos;


3.tratamento dos poluentes líquidos industriais para que possam ser reutilizados;


4.projetos de irrigação evitando o consumo exagerado;


5.proteção dos mananciais das regiões de nascentes dos rios.


Enfim, a falta de água é tão evidente que ela passou a ser considerada o ouro do século XXI.