visitantes desde Abril 2011

free counters

sexta-feira, 29 de abril de 2011

Estamos obcecados com "o melhor".


Estamos obcecados com "o melhor".



Não sei quando foi que começou essa mania, mas  hoje só queremos saber do "melhor".

Tem que ser o melhor computador, o melhor carro, o melhor emprego, a melhor dieta, a melhor operadora de celular, o melhor tênis, o melhor vinho.


Bom não basta.


O ideal é ter o top de linha, aquele que deixa os outros pra trás e que nos distingue, nos faz sentir importantes, porque, afinal, estamos com "o melhor".


Isso até que outro "melhor" apareça e é uma questão de dias ou de horas até isso acontecer.
Novas marcas surgem a todo instante.
Novas possibilidades também. E o que era melhor, de repente, nos parece superado, modesto, aquém do que podemos ter.


O que acontece, quando só queremos o melhor, é que passamos a viver inquietos, numa espécie de insatisfação permanente, num eterno desassossego.


Não desfrutamos do que temos ou conquistamos, porque estamos de olho no que falta conquistar ou ter.
Cada comercial na TV nos convence de que merecemos ter mais do que temos.


Cada artigo que lemos nos faz imaginar que os outros (ah, os outros...) estão vivendo melhor, comprando melhor, amando melhor, ganhando melhores salários.


Aí a gente não relaxa, porque tem que correr atrás, de preferência com o melhor tênis.
Não que a gente deva se acomodar ou se contentar sempre com menos.
Mas o menos, às vezes, é mais do que suficiente.


Se não dirijo a 140, preciso realmente de um carro com tanta potência?


Se gosto do que faço no meu trabalho, tenho que subir na empresa e assumir o cargo de chefia que vai me matar de estresse porque é o melhor cargo da empresa?


E aquela TV de não sei quantas polegadas que acabou com o espaço do meu quarto?


O restaurante onde sinto saudades da comida de casa e vou porque tem o "melhor chef"?
Aquele xampu que usei durante anos tem que ser aposentado porque agora existe um melhor e dez vezes mais caro?
O cabeleireiro do meu bairro tem mesmo que ser trocado pelo "melhor cabeleireiro"?
Tenho pensado no quanto essa busca permanente do melhor tem nos deixado ansiosos e nos impedido de desfrutar o "bom" que já temos.


A casa que é pequena, mas nos acolhe.
O emprego que não paga tão bem, mas nos enche de alegria.


A TV que está velha, mas nunca deu defeito.
O homem que tem defeitos (como nós), mas nos faz mais felizes do que os homens "perfeitos".


As férias que não vão ser na Europa, porque o dinheiro não deu,
mas vai me dar a chance de estar perto de quem amo...


O rosto que já não é jovem, mas carrega as marcas das histórias que me constituem.
O corpo que já não é mais jovem, mas está vivo e sente prazer.
Será que a gente precisa mesmo de mais do que isso?


Ou será que isso já é o melhor e na busca do "melhor" a gente nem percebeu?




Leila Ferreira

quarta-feira, 27 de abril de 2011

Reflexão: Bens Materiais e o Sábio


Conta-se que no século passado, um turista americano foi à cidade do Cairo no Egito, com o objetivo de visitar um famoso sábio.


O turista ficou surpreso ao ver que o sábio morava num quartinho muito simples e cheio de livros.

As únicas peças de mobília eram uma cama, uma mesa e um banco.


- Onde estão seus móveis? Perguntou o turista.


- E o sábio, bem depressa olhou ao seu redor e perguntou também:


- E onde estão os seus...?


- Os meus?! Surpreendeu-se o turista. Mas estou aqui só de passagem!


- Eu também... - Concluiu o sábio.


"A vida na Terra é somente uma passagem...


No entanto, alguns vivem como se fossem ficar aqui eternamente, e esquecem-se de serem felizes."


"NÃO SOMOS SERES HUMANOS PASSANDO POR UMA EXPERIÊNCIA ESPIRITUAL...


SOMOS SERES ESPIRITUAIS PASSANDO POR UMA EXPERIÊNCIA HUMANA..."



domingo, 24 de abril de 2011

JAPÃO: LIÇÃO DE VIDA PARA O OCIDENTE


DEZ COISAS A SEREM APRENDIDAS COM O JAPÃO

1 – A CALMA
Nenhuma imagem de gente se lamentando, gritando e reclamando que “havia perdido tudo”. A tristeza por si só já bastava.


2 – A DIGNIDADE
Filas disciplinadas para água e comida. Nenhuma palavra dura e nenhum gesto de desagravo.


3 – A HABILIDADE
Arquitetos fantásticos, por exemplo. Os prédios balançaram, mas não caíram.


4 – A SOLIDARIEDADE
As pessoas compravam somente o que realmente necessitavam no momento. Assim todos poderiam comprar alguma coisa.


5 – A ORDEM
Nenhum saque a lojas. Sem buzinaço e tráfego pesado nas estradas. Apenas compreensão.

6 – O SACRIFÍCIO
Cinquenta trabalhadores ficaram para bombear água do mar para os reatores da usina de Fukushima. Como poderão ser recompensados?


7 – A TERNURA
Os restaurantes cortaram pela metade seus preços. Caixas eletrônicos deixados sem qualquer tipo de vigilância. Os fortes cuidavam dos fracos.


8 – O TREINAMENTO
Velhos e jovens, todos sabiam o que fazer e fizeram exatamente o que lhes foi ensinado.


9 – A IMPRENSA
Mostraram enorme discrição nos boletins de notícias. Nada de reportagens sensacionalistas com repórteres imbecis. Apenas calmas reportagens dos fatos.


10 – A CONSCIÊNCIA
Quando a energia acabava em uma loja, as pessoas recolocavam as mercadorias nas prateleiras e saiam calmamente.


NENHUM ARRASTÃO, CONTRA O POVO ou
PARA ROUBAR O COMÉRCIO


“A passagem do tempo deve ser uma conquista e não uma perda.”
“Viver é a única coisa que não dá para deixar para depois.”


Enviado pela amiga especial: Sonia Schebela

Reflexão: Senhor, ajuda-me a perdoar



Senhor, eu gostaria tanto de poder perdoar. Disponho-me a isso. Oro e tenho a impressão de que lavei meu coração de toda mágoa.
Contudo, basta que eu reveja quem me agrediu, caluniou, traiu e todo o sentimento retorna.
Isso está me fazendo muito mal, Senhor. Sinto um peso dentro de mim, um mal-estar e tenho a impressão de que perdi um tanto da capacidade de amar.
Em função do que padeci, tornei-me desconfiado. Quando um amigo me abraça, não me entrego em totalidade. Fico pensando se ele está sendo sincero.
Se não estará, como outros, demonstrando uma afeição que não lhe habita a alma, somente por conveniência. Pior ainda, fico cogitando quando esse amigo me oferecerá o fruto amargo do abandono.
Isso é muito ruim, Senhor, eu sei. Contudo, tornei-me assim, depois de tantas ingratidões recebidas, em tantos afastamentos constatados, em tantas evasões de pessoas a quem entreguei o meu coração.
Recorro às páginas do Evangelho e as leio, entre a emoção e o desassossego. Pesquiso as vidas dos grandes seguidores da Tua mensagem e me indago:
Por que eles conseguiram perdoar? O que me falta para isso?
Na tela da memória, evoco a imagem do primeiro mártir do Cristianismo, Estêvão, apedrejado por amor à verdade que propagava.
Ainda agonizante, ao lado da irmã, que descobre noiva do seu verdugo, tem palavras de perdão. Não são palavras de quem, por estar morrendo, resolve doar o perdão.
São palavras de quem se mostra agradecido por reencontrar a irmã querida, depois de tantos anos de separação que lhes fora imposta.
São palavras de quem está feliz e poderá morrer tranquilo, não somente por ter sido fiel a Jesus até o fim, mas por saber que sua irmã estará bem amparada por aquele mesmo que a ele tirou a vida.
Cristo os abençoe... Não tenho no teu noivo um inimigo, tenho um irmão...
Saulo deve ser bom e generoso. Defendeu Moisés até ao fim... Quando conhecer a Jesus, servi-lO-á com o mesmo fervor...
Sê para ele a companheira amorosa e fiel...
Perdão incondicional. Ele poderia pensar em que poderia gozar da felicidade de tornar a conviver com a irmã, depois de tantos anos.
Voltar a estarem juntos, como dantes da tragédia que os separara. Mas, não.
Suas palavras não são de reprovação a quem o condenara ao apedrejamento. Nele somente há perdão.
Por tudo isso, Senhor, eu Te peço: Ajuda-me a perdoar. Ensina-me a perdoar. Promove em mim a mudança para melhor.
Não permitas que eu me perca pelas ruelas sombrias da mágoa, da tristeza e do desencanto.
Eu desejo voltar a acreditar nas pessoas, a crer na amizade sincera, na doação sem jaça.
Recordando o Teu exemplo extraordinário na cruz, preocupando-Te com aqueles que Te haviam infligido tanto sofrimento e morte, eu Te peço: Ajuda-me.
Tenho certeza de que, quando o perdão puder ser a tônica dos meus atos, eu voltarei a sorrir, a ter fé, a viver intensamente.
Ajuda-me, pois, Senhor Jesus, a perdoar. Porque, não somente desejo ser feliz, mas igualmente almejo ser, para os que comigo convivem, motivo de contentamento e de alegria.



Momento Espirita




Reflexão: 45 lições de Vida. The Plain Dealer, Cleveland, Ohio.



1. A vida não é justa, mas ainda é boa.

2. Quando estiver em dúvida, dê somente o próximo passo, pequeno .


3. A vida é muito curta para desperdiçá-la odiando alguém.


4. Seu trabalho não cuidará de você quando você ficar doente. Seus amigos e familiares cuidarão. Permaneça em contato.


5. Pague mensalmente seus cartões de crédito.


6. Você não tem que ganhar todas as vezes. Concorde em discordar.


7. Chore com alguém. Cura melhor do que chorar sozinho.


8. É bom ficar bravo com Deus. Ele pode suportar isso.


9. Economize para a aposentadoria começando com seu primeiro salário.


10. Quanto a chocolate, é inútil resistir.


11. Faça as pazes com seu passado, assim ele não atrapalha o presente.


12. É bom deixar suas crianças verem que você chora.


13. Não compare sua vida com a dos outros. Você não tem idéia do que é a jornada deles.


14. Se um relacionamento tiver que ser um segredo, você não deveria entrar nele.


15. Tudo pode mudar num piscar de olhos. Mas não se preocupe; Deus nunca pisca.


16. Respire fundo. Isso acalma a mente.


17. Livre-se de qualquer coisa que não seja útil, bonito ou alegre.


18. Qualquer coisa que não o matar o tornará realmente mais forte.


19. Nunca é muito tarde para ter uma infância feliz. Mas a segunda vez é por sua conta e ninguém mais.


20. Quando se trata do que você ama na vida, não aceite um não como resposta.


21. Acenda as velas, use os lençóis bonitos, use roupa chic. Não guarde isto para uma ocasião especial. Hoje é especial.


22. Prepare-se mais do que o necessário, depois siga com o fluxo.


23. Seja excêntrico agora. Não espere pela velhice para vestir roxo.


24. O órgão sexual mais importante é o cérebro.


25. Ninguém mais é responsável pela sua felicidade, somente você..


26. Enquadre todos os assim chamados "desastres" com estas palavras 'Em cinco anos, isto importará?'


27. Sempre escolha a vida.


28. Perdoe tudo de todo mundo.


29. O que outras pessoas pensam de você não é da sua conta.


30. O tempo cura quase tudo. Dê tempo ao tempo..


31. Não importa quão boa ou ruim é uma situação, ela mudará.


32. Não se leve muito a sério. Ninguém faz isso.


33. Acredite em milagres.


34. Deus ama você porque ele é Deus, não por causa de qualquer coisa que você fez ou não fez.


35. Não faça auditoria na vida. Destaque-se e aproveite-a ao máximo agora.


36. Envelhecer ganha da alternativa -- morrer jovem.


37. Suas crianças têm apenas uma infância.


38. Tudo que verdadeiramente importa no final é que você amou.


39. Saia de casa todos os dias. Os milagres estão esperando em todos os lugares.


40. Se todos nós colocássemos nossos problemas em uma pilha e víssemos todos os outros como eles são, nós pegaríamos nossos mesmos problemas de volta.


41. A inveja é uma perda de tempo. Você já tem tudo o que precisa.


42. O melhor ainda está por vir.


43. Não importa como você se sente, levante-se, vista-se bem e apareça.


44. Produza!

45. A vida não está amarrada com um laço, mas ainda é um presente.

Escrito por Regina Brett, 90 anos de idade, que assina uma coluna no The Plain Dealer, Cleveland, Ohio.

"Para celebrar o meu envelhecimento, certo dia eu escrevi as 45 lições que a vida me ensinou.
É a coluna mais solicitada que eu já escrevi."












sábado, 23 de abril de 2011

Reflexão: Recado aos Jovens e aos Adultos. Lição de Vida


Quando vc era bem pequeno...

...eles gastavam horas lhe ensinando a usar talheres nas refeições...
... ensinando você a se vestir, amarrar os cadarços dos sapatos, fechar os botões da camisa..
Limpando-o quando você sujava suas fraldas lhe ensinando a lavar o rosto a se banhar a pentear seus cabelos...
...lhe ensinando valores humanos...


Por isso...
...quando eles ficarem velhos um dia...e seria bom que todos pudessem chegar até aí (não preciso explicar...não é?)
...quando eles começarem a ficar mais esquecidos e demorarem a responder...

...não se chateie com eles...


..quando eles começarem a esquecer de fechar botões da camisa, de amarrar cadarços de sapato...


...quando eles começarem a se sujar nas refeições...


...quando as mãos deles começarem a tremer enquanto penteiam cabelo...


...por favor, não os apresse...porque você está crescendo aos poucos, e eles envelhecendo...


...basta sua presença... sua paciência... sua generosidade... sua retribuição...
...para que os corações deles fiquem aquecidos...

...se um dia eles não conseguirem se equilibrar ou caminhar direito...


...segure firme as mãos deles e os acompanhe bem devagar respeitando o ritmo deles durante a caminhada... da mesma forma como eles respeitaram o seu ritmo quando lhe ensinaram a andar...
fique perto dêles...assim como...


...eles sempre estiveram presentes em sua vida, sofrendo por você... torcendo por você...


e vivendo "POR VOCÊ"


"Não eduque seu filho para ser rico, eduque-o para ser feliz.


Assim ele saberá o VALOR das coisas e não o seu PREÇO"

(Max Gehringer)


quinta-feira, 21 de abril de 2011

Visão Espírita da Páscoa



Eis-nos, uma vez mais, às vésperas de mais uma Páscoa. Nosso pensamento e nossa emoção, ambos cristãos, manifestam nossa sensibilidade psíquica. Deixando de lado o apelo comercial da data, e o caráter de festividade familiar, a exemplo do Natal, nossa atenção e consciência espíritas requerem uma explicação plausível do significado da data e de sua representação perante o contexto filosófico-científico-moral da Doutrina Espírita.


Deve-se comemorar a Páscoa? Que tipo de celebração, evento ou homenagem é permitida nas instituições espíritas? Como o Espiritismo visualiza o acontecimento da paixão, crucificação, morte e ressurreição de Jesus?


Em linhas gerais, as instituições espíritas não celebram a Páscoa, nem programam situações específicas para “marcar” a data, como fazem as demais religiões ou filosofias “cristãs”. Todavia, o sentimento de religiosidade que é particular de cada ser-Espírito, é, pela Doutrina Espírita, respeitado, de modo que qualquer manifestação pessoal ou, mesmo, coletiva, acerca da Páscoa não é proibida, nem desaconselhada.


O certo é que a figura de Jesus assume posição privilegiada no contexto espírita, dizendo-se, inclusive, que a moral de Jesus serve de base para a moral do Espiritismo. Assim, como as pessoas, via de regra, são lembradas, em nossa cultura, pelo que fizeram e reverenciadas nas datas principais de sua existência corpórea (nascimento e morte), é absolutamente comum e verdadeiro lembrarmo-nos das pessoas que nos são caras ou importantes nestas datas. Não há, francamente, nenhum mal nisso.


Mas, como o Espiritismo não tem dogmas, sacramentos, rituais ou liturgias, a forma de encarar a Páscoa (ou a Natividade) de Jesus, assume uma conotação bastante peculiar. Antes de mencionarmos a significação espírita da Páscoa, faz-se necessário buscar, no tempo, na História da Humanidade, as referências ao acontecimento.


A Páscoa, primeiramente, não é, de maneira inicial, relacionada ao martírio e sacrifício de Jesus. Veja-se, por exemplo, no Evangelho de Lucas (cap. 22, versículos 15 e 16), a menção, do próprio Cristo, ao evento: “Tenho desejado ansiosamente comer convosco esta Páscoa, antes da minha paixão. Porque vos declaro que não tornarei a comer, até que ela se cumpra no Reino de Deus.” Evidente, aí, a referência de que a Páscoa já era uma “comemoração”, na época de Jesus, uma festa cultural e, portanto, o que fez a Igreja foi “aproveitar-se” do sentido da festa, para adaptá-la, dando-lhe um novo significado, associando-o à “imolação” de Jesus, no pós-julgamento, na execução da sentença de Pilatos.


Historicamente, a Páscoa é a junção de duas festividades muito antigas, comuns entre os povos primitivos, e alimentada pelos judeus, à época de Jesus. Fala-se do “pesah”, uma dança cultural, representando a vida dos povos nômades, numa fase em que a vinculação à terra (com a noção de propriedade) ainda não era flagrante. Também estava associada à “festa dos ázimos”, uma homenagem que os agricultores sedentários faziam às divindades, em razão do início da época da colheita do trigo, agradecendo aos Céus, pela fartura da produção agrícola, da qual saciavam a fome de suas famílias, e propiciavam as trocas nos mercados da época. Ambas eram comemoradas no mês de abril (nisan) e, a partir do evento bíblico denominado “êxodo” (fuga do povo hebreu do Egito), em torno de 1441 a.C., passaram a ser reverenciadas juntas. É esta a Páscoa que o Cristo desejou comemorar junto dos seus mais caros, por ocasião da última ceia.


Logo após a celebração, foram todos para o Getsêmani, onde os discípulos invigilantes adormeceram, tendo sido o palco do beijo da traição e da prisão do Nazareno.
Mas há outros elementos “evangélicos” que marcam a Páscoa. Isto porque as vinculações religiosas apontam para a quinta e a sexta-feira santas, o sábado de aleluia e o domingo de páscoa. Os primeiros relacionam-se ao “martírio”, ao sofrimento de Jesus – tão bem retratado no filme hollyodiano (A Paixão de Cristo, segundo Mel Gibson) –, e os últimos, à ressurreição e a ascensão de Jesus.


No que concerne à ressurreição, podemos dizer que a interpretação tradicional aponta para a possibilidade da mantença da estrutura corporal do Cristo, no post-mortem, situação totalmente rechaçada pela ciência, em virtude do apodrecimento e deterioração do envoltório físico. As Igrejas cristãs insistem na hipótese do Cristo ter “subido aos Céus” em corpo e alma, e fará o mesmo em relação a todos os “eleitos” no chamado “juízo final”. Isto é, pessoas que morreram, pelos séculos afora, cujos corpos já foram decompostos e reaproveitados pela terra, ressurgirão, perfeitos, reconstituindo as estruturas orgânicas, do dia do julgamento, onde o Cristo, separá justos e ímpios.


A lógica e o bom-senso espíritas abominam tal teoria, pela impossibilidade física e pela injustiça moral. Afinal, com a lei dos renascimentos, estabelece-se um critério mais justo para aferir a “competência” ou a “qualificação” de todos os Espíritos. Com “tantas oportunidades quanto sejam necessárias”, no “nascer de novo”, é possível a todos progredirem.


Mas, como explicar, então as “aparições” de Jesus, nos quarenta dias póstumos, mencionadas pelos religiosos na alusão à Páscoa?


A fenomenologia espírita (mediúnica) aponta para as manifestações psíquicas descritas como mediunidades. Em algumas ocasiões, como a conversa com Maria de Magdala, que havia ido até o sepulcro para depositar algumas flores e orar, perguntando a Jesus – como se fosse o jardineiro – após ver a lápide removida, “para onde levaram o corpo do Raboni”, podemos estar diante da “materialização”, isto é, a utilização de fluido ectoplásmico – de seres encarnados – para possibilitar que o Espírito seja visto (por todos). Igual circunstância se dá, também, no colóquio de Tomé com os demais discípulos, que já haviam “visto” Jesus, de que ele só acreditaria, se “colocasse as mãos nas chagas do Cristo”. E isto, em verdade, pelos relatos bíblicos, acontece. Noutras situações, estamos diante de uma outra manifestação psíquica conhecida, a mediunidade de vidência, quando, pelo uso de faculdades mediúnicas, alguém pode ver os Espíritos.


A Páscoa, em verdade, pela interpretação das religiões e seitas tradicionais, acha-se envolta num preocupante e negativo contexto de culpa. Afinal, acredita-se que Jesus teria padecido em razão dos “nossos” pecados, numa alusão descabida de que todo o sofrimento de Jesus teria sido realizado para “nos salvar”, dos nossos próprios erros, ou dos erros cometidos por nossos ancestrais, em especial, os “bíblicos” Adão e Eva, no Paraíso. A presença do “cordeiro imolado”, que cumpre as profecias do Antigo Testamento, quanto à perseguição e violência contra o “filho de Deus”, está flagrantemente aposta em todas as igrejas, nos crucifixos e nos quadros que relatam – em cores vivas – as fases da via sacra.


Esta tradição judaico-cristã da “culpa” é a grande diferença entre a Páscoa tradicional e a Páscoa espírita, se é que esta última existe. Em verdade, nós espíritas devemos reconhecer a data da Páscoa como a grande – e última lição – de Jesus, que vence as iniqüidades, que retorna triunfante, que prossegue sua cátedra pedapassos, doravante.


Nestes dias de festas materiais e/ou lembranças do sofrimento do Rabi, possamos nós encarar a Páscoa como o momento de transformação, a vera evocação de liberdade, pois, uma vez despojado do envoltório corporal, pôde Jesus retornar ao Plano Espiritual para, de lá, continuar “coordenando” o processo depurativo de nosso orbe. Longe da remissão da celebração de uma festa pastoral ou agrícola, ou da libertação de um povo oprimido, ou da ressurreição de Jesus, possa ela ser encarada por nós, espíritas, como a vitória real da vida sobre a morte, pela certeza da imortalidade e da reencarnação, porque a vida, em essência, só pode ser conceituada como o amor, calcado nos grandes exemplos da própria existência de Jesus, de amor ao próximo e de valorização da própria vida.


Nesta Páscoa, assim, quando estiveres junto aos teus mais caros, lembra-te de reverenciar os belos exemplos de Jesus, que o imortalizam e que nos guiam para, um dia, também estarmos na condição experimentada por ele, qual seja a de “sermos deuses”, “fazendo brilhar a nossa luz”.


Comemore, então, meu amigo, uma “outra” Páscoa. A sua Páscoa, a da sua transformação, rumo a uma vida plena."


                                                                                             Marcelo Henrique










terça-feira, 19 de abril de 2011

Reflexão: CAUSAS ATUAIS DAS AFLIÇÕES


De duas espécies são as vicissitudes da vida, ou, se o preferirem, promanam de duas fontes bem diferentes, que importa distinguir.

Umas tem sua causa na vida presente; outras, fora desta vida.
Remontando-se a origem dos males terrestres, reconhecer-se-á que muitos são consequência natural do caráter e do proceder dos que os suportam.
Quantos homens caem por sua própria culpa!
Quantos são vítimas de sua imprevidência, de seu orgulho e de sua ambição!
Quantos se arruinam por falta de ordem, de perseverança, pelo mau proceder, ou por nao terem sabido limitar seus desejos!
Quantas uniões desgracadas, porque resultaram de um cálculo de interesse ou de vaidade e nas quais o coração nao tomou parte alguma!
Quantas dissensões e funestas disputas se teriam evitado com um pouco de moderação e menos suscetibilidade!
Quantas doenças e enfermidades decorrem da intemperança e dos excessos de todo gênero!
Quantos pais são infelizes com seus filhos, porque não lhes combateram desde o princípio as mas tendências!
Por fraqueza, ou indiferença, deixaram que neles se desenvolvessem os germens do orgulho, do egoísmo e da tola vaidade, que produzem a secura do coração; depois, mais tarde, quando colhem o que semearam, admiram-se e se afligem da falta de deferência com que são tratados e da ingratidão deles.
Interroguem friamente suas consciências todos os que são feridos no coração pelas vicissitudes e decepções da vida; remontem passo a passo a origem dos males que os torturam e verifiquem se, as mais das vezes, não poderao dizer:
Se eu houvesse feito, ou deixado de fazer tal coisa, nao estaria em semelhante condição.
A quem, então, há de o homem responsabilizar por todas essas aflições, senão a si mesmo?
O homem, pois, em grande número de casos, é o causador de seus próprios infortúnios; mas, em vez de reconhecê-lo, acha mais simples, menos humilhante para a sua vaidade acusar a sorte, a Providência, a má fortuna, a má estrela, ao passo que a má estrela apenas a sua incúria.
Os males dessa natureza fornecem, indubitavelmente, um notável contingente ao cômputo das vicissitudes da vida.
O homem as evitará quando trabalhar por se melhorar moralmente, tanto quanto intelectualmente.
A lei humana atinge certas faltas e as pune.
Pode, então, o condenado reconhecer que sofre a consequência do que fez. Mas a lei não atinge, nem pode atingir todas as faltas; incide especialmente sobre as que trazem prejuízo à sociedade e não sobre as que só prejudicam os que as cometem, Deus, porém, quer que todas as suas criaturas progridam e, portanto, nao deixa impune qualquer desvio do caminho reto.
Não há falta alguma, por mais leve que seja, nenhuma infração da sua lei, que não acarrete forçosas e inevitáveis consequências, mais ou menos deploráveis.
Daí se segue que, nas pequenas coisas, como nas grandes, o homem é sempre punido por aquilo em que pecou.
Os sofrimentos que decorrem do pecado são-lhe uma advertência de que procedeu mal.
Dão-lhe experiência, fazem-lhe sentir a diferença existente entre o bem e o mal e a necessidade de se melhorar para, de futuro, evitar o que lhe originou uma fonte de amarguras; sem o que, motivo não haveria para que se emendasse.
Confiante na impunidade, retardaria seu avanço e, consequentemente, a sua felicidade futura.
Entretanto, a experiência, algumas vezes, chega um pouco tarde: quando a vida já foi desperdiçada e turbada; quando as forças já estão gastas e sem remédio o mal.
Põe-se então o homem a dizer:
"Se no começo dos meus dias eu soubera o que sei hoje, quantos passos em falso teria evitado! Se houvesse de recomeçar, conduzir-me-ia de outra maneira. No entanto, já não há mais tempo!"
Como o obreiro preguiçoso, que diz:
"Perdi o meu dia", também ele diz:
"Perdi a minha vida".
Contudo, assim como para o obreiro o Sol se levanta no dia seguinte, permitindo-lhe neste reparar o tempo perdido, também para o homem, após a noite do túmulo, brilhará o Sol de uma nova vida, em que lhe será possível aproveitar a experiência do passado e suas boas resoluções para o futuro.

Allan Kardec. Da obra:  O Evangelho Segundo o Espiritismo.

CINCO LEMBRETES ANTI-SUICÍDIO


1. A vida não acaba com a morte.



A morte não significa o fim da vida, mas somente uma passagem para uma outra vida: a espiritual.


2. Os problemas não acabam com a morte.


Eles são provas ou expiações, que nos possibilitam a evolução espiritual, quando os enfrentamos com coragem e serenidade.


Quem acredita estar escapando dos problemas pela porta do suicídio está somente adiando a situação.


3. O sofrimento não acaba com a morte.
O suicídio só faz aumentar o sofrimento.


Os espíritos de suicidas que puderam se comunicar conosco descrevem as dores terríveis que tiveram de sofrer, ao adentrar o Mundo Espiritual, devido ao rompimento abrupto dos liames entre o Espírito e o corpo.


Para alguns suicidas o desligamento é tão difícil, que eles chegam a sentir seu corpo se decompondo.


Além disso, há o remorso por ter transgredido gravemente a lei de Deus, perante a qual suicidar-se equivale a cometer um assassinato.


4. A morte não apaga nossas falhas.


A responsabilidade pelas faltas cometidas é inevitável e intransferível.
Elas permanecem em nossa consciência até que a reparemos.


5. A Doutrina Espírita propicia esperança e consolação quando oferece a certeza da continuidade infinita da vida, que é tanto mais feliz quanto melhor suportamos as provas do presente.

Retirado do livro
Palavras Simples, Verdades Profundas,
de Rita Folker - EME Editora
quarta-feira, 14 de abril de 2010Suicídio Causas e Conseqüências


Suicídio


Causas e Conseqüências



Allan Kardec no livro “O Evangelho Segundo o Espiritismo” capítulo 5º diz que “a calma e a resignação adquiridas na maneira de encarar a vida terrena, e a fé no futuro, dão ao espírito uma serenidade que é o melhor preservativo da loucura e do suicídio”.


A incredulidade, a simples dúvida quanto ao futuro, as idéias materialistas, são os maiores incentivadores do suicídio: elas produzem a frouxidão moral.


Dr. Jorge Andréa no livro “Enfoques Científicos na Doutrina Espírita” abordando essa mesma temática tece as seguintes considerações.


“O homem moderno materializou-se, exaltando a deusa - máquina e o deus técnica, não percebendo a fragilidade desses totens de barro. O deus em que confiou e acreditou esboroou-se ao menor dos ventos. Não acontecendo o mesmo com aqueles que asseguram os seus alicerces psicológicos - emocionais numa ética valorosa que o espiritualismo pode oferecer; e mais ainda, numa fé lógica, harmoniosa e inteligível por ser raciocinada , aos que se acercam do estofo dinâmico que caracteriza a Doutrina Espírita. O suicídio , como resultado de um imenso desequilíbrio emocional poderá ser um ato voluntário, porquanto existem outros fatores que concorrem para um suicídio lento despercebido e por isso, considerado involuntário, ou seja, suicídio consciente e inconsciente.


As conseqüências são dolorosas. Não morrerão, ninguém se destrói ante a morte.


Há, sem dúvida, agravantes e atenuantes, no exame do suicídio. Eliminam, no mundo espiritual com muito sofrimento o ônus da atitude desequilibrante e quando retornarem à Terra em novas reencarnações terão que passar, por expiações aflitivas.


Joanna de Ângelis no livro “Após a Tempestade” nos fala dessas conseqüências: aqueles que esfacelam o crânio, reencarnam com a idiotia, surdez-mudez, conforme a parte do cérebro afetada, os que tentaram o enforcamento, reaparecem, com os processos da paraplegia infantil; os afogados com enfisema pulmonar, tiros no coração, cardiopatias congênitas irreversíveis, os que se utilizam de tóxicos e venenos, sofrem sob o tormento das deformações congênitas, úlceras gástricas e cânceres. É Joanna ainda que nos diz:


-”Espera pelo amanhã, quando o teu dia se te apresente sombrio e apavorante. Se te parecem insuportáveis as dores, lembra-te de Jesus, ora, aguarda e confia”.


Lembremo-nos de Kardec quando coloca no “Evangelho Segundo o Espiritismo” - “Com o Espiritismo a dúvida não sendo mais permitida, modifica-se a visão da vida”.






Bibliografia


1.Kardec, Allan - Evangelho Segundo o Espiritismo


2.Andréa, Jorge - Enfoques Científicos na Doutrina Espírita


3.Angelis, Joanna de - Após a tempestade - psic. De Divaldo Pereira Franco

A filosofia espírita da fé raciocinada


As relações entre fé e razão desde o princípio fazem parte do debate filosófico espírita, com a criação por Allan Kardec do conceito de fé raciocinada. De um ponto de vista conceitual, estabelece-se uma contradição aparentemente insuperável, porquanto a fé se funda na convicção e a razão, na dúvida; resulta, então, que ambos se contradizem. Ora, como crer e duvidar são práticas antagônicas por definição, o conceito de "fé raciocinada", seria por isso um evidente contra-senso.


Em Kardec, esse conceito é apresentado dentro de um quadro argumentativo construído para negar uma outra noção, atribuída pelo professor lionês às religiões dogmáticas: a "fé cega". Nesse sentido, a fé raciocinada seria algo próximo de "fé fundamentada", isto é, o adjetivo referente ao raciocínio daria ao sujeito o significado de um estado, e não de um processo. Ou seja, a fé raciocinada não seria propriamente uma "fé que raciocina", e sim, uma fé que já raciocinou antes, para se constituir. Tal interpretação consegue parcialmente satisfazer o quadro lógico de separação entre fé e razão: haveria primeiro o movimento de raciocínio e, somente depois, a fé se constituiria.


Esse ponto de vista, entretanto, não é satisfatório, sob o prisma kardequiano. Ainda nas menções que faz sobre a questão da fé, o codificador publicou em "O Evangelho Segundo o Espiritismo" um axioma que se tornou famoso nos meios doutrinários espíritas: "Fé inabalável só é a que pode encarar a razão, face a face, em todas as épocas da Humanidade". Nessa proposição, Allan Kardec nos remete a uma percepção histórica, processual, do fenômeno da crença, delimitando, com o rigor que lhe era próprio, a característica especial e profundamente inovadora da fé espírita.


Nesse contexto, a fé raciocinada – qualidade que a tornaria inabalável – seria não apenas aquela que se constituísse por um movimento de decisão racional, mas, também, a que se mantivesse em regime de racionalidade contínua, inclusa essa exigência no exercício da própria fé. A conciliação necessária, nesse caso, entre os conceitos de fé e razão, seria feita pela mudança de um raciocínio lógico para um raciocínio dialético: os contrários, ao invés de se excluírem, se complementam, se conjugam, na explicação da realidade.


Dentro desse modo de pensar, a fé espírita forma um par dialético inseparável com a razão espírita. Tal idéia significa que a crença espírita é basicamente uma fé que admite dúvida e com ela convive, durante todo o tempo. Trata-se, pois, de uma fé aberta, dialogal, disposta a modificar as próprias opiniões ou o objeto de sua manifestação como crença, desde que satisfeitas as condições do livre exercício da razão. Em contrapartida, a razão espírita constitui uma dúvida que se baseia na fé, capaz de fazer emergir as desconfianças naturais da racionalidade sem uma pretensão cética ou cientificista, e que, sobretudo, está disposta a admitir a crença e a confiança naqueles conteúdos sobre os quais a razão ainda não assumiu uma postura de conhecimento e verificação. Tal composição resulta no que Herculano Pires denominou, muito apropriadamente, "fideísmo crítico".


O uso da razão é a admissão da dúvida, a qual, no Espiritismo, se funda no princípio filosófico da imperfeição espiritual (temos preferido denominá-la incompletude, para retirar o sentido pejorativo do termo "imperfeição", como algo "errado, estragado, com defeito"), o que faz da jornada espiritual a contínua e necessária possibilidade da mudança. Por esta via, o Espiritismo funda um novo iluminismo, cuja formulação acredita na racionalidade como fundamento da fé humana e, por tal razão, confia no aperfeiçoamento das possibilidades da razão como geratriz do aprimoramento da fé.


Feitas tais considerações, de ordem filosófica, convém refletir pragmaticamente. Nem todos os espíritas na atualidade compreendem o que significa essa dimensão do conceito de fé raciocinada. Não raro, imaginam que raciocinar seja o mesmo que racionalizar, isto é, referir-se à razão como pretexto para justificar o dogma, o que transforma o argumento racional em argumento ideológico (no sentido negativo, como falsa concepção da realidade, apoiada somente em critérios de identidade religiosa), atitude que de modo algum pode ser justificada na proposta de Kardec. Fé raciocinada, portanto, não é o mesmo que fé racionalizada (até porque todas as formas de fé podem ser enquadradas neste último tipo).


Dentre as diversas concepções de racionalidade válidas em filosofia, acreditamos que a noção de "razão comunicativa" ou "razão consensual", do filósofo alemão Jürgen Habermas, é a que melhor se adequa ao conceito de fé raciocinada, em Kardec. Para aquele pensador, há racionalidade sempre que houver diálogo onde se instaurem consensos entre os interlocutores, sendo que a verificação prática do consenso seria a própria demonstração de que houve racionalidade. Em outras palavras: razão é o diálogo que dá certo.


Em Kardec, a fé raciocinada é a fé que permanece em constante contato com a razão, isto é, busca sempre um saber mais amplo, argumenta e se questiona. Para isso, a fé espírita há de ser permanentemente reconstruída no diálogo com os diversos saberes, especialmente na interação entre o saber humano, de vertente científica, filosófica ou experiencial, e o saber espiritual, originado da interlocução mediúnica. Eis, portanto, sob formulação espírita, a razão comunicativa, um movimento de construção da crença erigido sobre o diálogo e, por isso, capaz de "enfrentar a razão, face a face, em qualquer época da Humanidade".


Os espíritas, por isso, não podem abandonar em tempo algum a possibilidade do diálogo, não apenas com os espíritos, a partir dos quais o conhecimento assume a forma de "revelação", em definição kardequiana, mas também com os variados saberes humanos, especialmente o filosófico e o científico. A fé espírita há de ser uma fé em constante atualização, uma fé sempre renovada, sempre reconstruída. Ou recairá lamentavelmente num novo tipo de fé cega: a que se contenta em apenas fingir que vê.


- Luiz Signates (GO)
Fonte: http://estudandokardec.blogspot.com




segunda-feira, 18 de abril de 2011

A construção de uma sociedade melhor



“Se quiserdes que os Homens vivam como irmãos na Terra, não basta dar-lhes lições de moral; é preciso destruir a causa do antagonismo existente e atacar a origem do mal: o orgulho e o egoísmo.” Allan Kardec - Obras Póstumas:







A construção de uma sociedade melhor, baseada em relações justas, fraternas, em condições de liberdade e pleno desenvolvimento do indivíduo, ainda é um grande desafio para a humanidade. Esta questão não se restringe a um povo, nação ou bloco econômico, mas expande-se à maioria da população mundial, mesmo considerando-se as diversidades culturais existentes. Obviamente ainda verificamos aqueles que permanecem sob um coercitivo isolamento cultural, refletindo o próprio estágio evolutivo em que se encontram.


Desde o primeiro agrupamento familiar, passando pelas mais diferentes formas de relações políticas, sociais e econômicas, desenvolvemos as bases do conhecimento atual, orientados por um impulso evolucionista inerente ao Ser humano. Motivação esta que não é derivada exclusivamente do processo histórico, como desejam alguns, mas é a manifestação da potencialidade do Espírito buscando a própria realização(...)"






(Allan Kardec)



sexta-feira, 15 de abril de 2011

Princípios de Liderança



“Os princípios de liderança que vou compartilhar com vocês não são novos nem foram criados por mim. São tão velhos quanto às escrituras e no entanto são novos e revigorantes como o nascer do sol desta manhã”
O Monge e o Executivo.

Ter vontade de falar
Muitas vezes é uma sensação de ansiedade que nos faz remexer na cadeira, o coração bate um pouco mais depressa, ou as palmas das mãos suam. É aquela sensação de que você tem uma contribuição a dar.


Liderança:
É a habilidade de influenciar pessoas para trabalharem entusiasticamente visando atingir aos objetivos identificados como sendo para o bem comum.


Palavras-chave para liderança


Habilidade - pode ser aprendida e desenvolvida por alguém que tenha o desejo e pratique as ações adequadas.
Influência - se liderar é influenciar os outros, como desenvolver essa influência?


Poder e Autoridade


De acordo com Max Weber:
Poder: É a faculdade de forçar ou coagir alguém a fazer sua vontade, por causa de sua posição ou força, mesmo que a pessoa preferisse não o fazer.
Autoridade: É a habilidade de levar as pessoas a fazerem de boa vontade o que você quer por causa de sua influência pessoal.


Qualidades de caráter


Honestidade, confiabilidade


Bom exemplo


Cuidado


Compromisso


Bom ouvinte


Conquistava a confiança das pessoas


Tratava as pessoas com respeito


Encorajava as pessoas


Atitude positiva e entusiástica


Gostava das pessoas


Todas as qualidades listadas são comportamentos.


E comportamento é escolha.


Importância dos relacionamentos


tarefa - Se nos concentrarmos em tarefas e não em relacionamentos, podemos ter transferências, rebeliões, má qualidade de trabalho, baixo compromisso, baixa confiança e outros sintomas indesejáveis.


relacionamento - O líder que não estiver cumprindo as tarefas e só se preocupar com o relacionamento não terá sua liderança assegurada.
A chave para a liderança é executar as tarefas enquanto se constroem os relacionamentos.


Confiança
É o ingrediente mais importante num relacionamento bem-sucedido.
Sem confiança é difícil senão impossível conservar um bom relacionamento.
Desafiar velhos paradigmas
Paradigmas são simplesmente padrões psicológicos, modelos ou mapas que usamos para navegar na vida.
Não vemos o mundo como ele é, mas como nós somos.


Progresso contínuo
“O homem sensato se adapta ao mundo; o insensato persiste em tentar adaptar o mundo a si mesmo; portanto, todo o progresso depende do homem insensato”

George Bernard Shaw

VELHO PARADIGMA
Invencibilidade dos EUA
Administração centralizada
Japão = produtos de má qualidade
Gerenciamento
Eu penso
Apego a um modelo
Lucro a curto prazo
Trabalho
Evitar e temer mudanças
Está razoável
Estilo piramidal de administração


NOVO PARADIGMA
Satisfazer necessidades e não vontades
Uma vontade - é simplesmente um anseio que não considera as conseqüências físicas ou psicológicas daquilo que se deseja.
Uma necessidade - é uma legítima exigência física ou psicológica para o bem-estar do ser humano.

MODELO DE LIDERANÇA
Amor
Novo Testamento
Storgé - afeição
Philos - ou fraternidade
Ágape - baseado no comportamento com os outros, sem exigir nada em troca


“O amor é o que o amor faz"
Nem sempre posso controlar o que sinto a respeito de outra pessoa, mas posso controlar como me comporto em relação a outras pessoas.
Amor e Liderança

Paciência - mostrar autocontrole
Bondade - dar atenção, apreciação, incentivo
Humildade - ser autêntico, sem pretensão, orgulho ou arrogância
Respeito - tratar as pessoas como se fossem importantes
Abnegação - satisfazer as necessidades dos outros
Perdão- desistir de ressentimento quando enganado
Honestidade - ser livre de engano
Compromisso – sustentar suas escolhas


Resultados: Serviço e Sacrifício - Pôr de lado suas vontades e necessidades; buscar o maior bem para os outros
Criar um ambiente saudável
Jardim saudável
Descobrir um pedaço de terra que recebe muito sol, em seguida trabalhar o solo para prepará-lo para o plantio. Depois plantar as sementes, regar, adubar, livrar das pragas e carpir o jardim de tempos em tempos.
No tempo devido, você verá o crescimento das plantas e logo virão as flores e os frutos.
Quanto tempo é necessário para se ver o fruto?
Muitas pessoas querem e esperam resultados rápidos, mas o fruto só vem quando está pronto. E é exatamente por isso que o compromisso é tão importante para um líder.

Responsabilidade e escolhas  "doenças da responsabilidade"


Os neuróticos assumem responsabilidades demais e acreditam que tudo o que acontece é por culpa deles.
Pessoas com problemas de caráter, por outro lado, geralmente assumem muito pouco a responsabilidade por seus atos. Elas acham que tudo o que sai errado é por culpa de outra pessoa.
A habilidade de escolher nossa resposta é uma das glórias do ser humano.
Todos temos que fazer escolhas a respeito de nosso comportamento e aceitar a responsabilidade por essas escolhas.


Quatro estágios necessários para adquirir novos hábitos ou habilidades
Estágio Um: Inconsciente e Sem Habilidade


Estágio Dois: Consciente e Sem Habilidade


Estágio Três: Consciente e Habilidoso


Estágio Quatro: Inconsciente e Habilidoso


Liderança é caráter


Qualidades construtoras do caráter:
Paciência, bondade, humildade, abnegação, respeito, generosidade, honestidade, compromisso.


"Pensamentos tornam-se ações, ações tornam-se hábitos, hábitos tornam-se caráter, e nosso caráter torna-se nosso destino".


Visão


A missão de construir autoridade servindo aqueles pelos quais o líder é responsável poderia dar ao líder uma visão real da direção que ele — ou ela — vai tomar. E quando se tem esta visão a vida passa a ter um propósito e um significado.


Alegria
Alegria é satisfação interior e a convicção de saber que você está verdadeiramente em sintonia com os princípios profundos e permanentes da vida. Servir aos outros nos livra das algemas do ego e da concentração em nós mesmos que destroem a alegria de viver.


Por onde começar?
Você começa com uma escolha
Intenções - ações = nada
Temos que agir de acordo com o que aprendemos, porque, se nada muda, nada muda.

O MONGE E O

Peace Pilgrim ( Construamos a PAZ). Peregrina da PAZ


"Desde 1953 até 1981, esta mulher de cabelos brancos, atendendo alegremente ao seu chamado, foi uma servidora do mundo.
Peregrina da Paz (18 de julho, 1908 - 7 de julho de 1981), nascida Mildred Lisette Norman, era uma pacifista americana, vegetariana e ativista da paz.

Em 1952, ela se tornou a primeira mulher a percorrer a pé toda a extensão da Trilha dos Apalaches, em uma temporada.
A partir de 1 de janeiro de 1953, em Pasadena, Califórnia, adotou o nome de "Peregrina de Paz" e atravessou os Estados Unidos aos 28 anos.
Ela não teve respaldo de nenhuma organização, não carregava nenhum dinheiro, e nem sequer pedia comida ou abrigo.
Quando começou sua peregrinação tinha feito um voto de "permanecer em peregrinação até que a humanidade tenha aprendido o caminho da paz, caminhando até o abrigo em jejum.
Suely Rodrigues Albuquerque



À medida que se aproximava de cada aldeia de província ou grande cidade, levava para cada um que conhecia uma mensagem de paz expressada da maneira mais simples: quando um número suficiente de nós encontrarmos a paz interior, nossas instituições se tornarão mais pacíficas e não haverá mais ocasião para a guerra."
Amigos Espiritas e Simpatizantes, vivemos um momento em que devemos vibrar a PAZ, e nada melhor que falar daqueles que passaram pela Terra colocando um tijolo nessa edificação...a Paz!


O CRESCIMENTO ESPIRITUAL: é um processo tal qual o crescimento físico e mental.
Não se espera que crianças de cinco anos sejam tão altas como seus pais no aniversário seguinte; o aluno da primeira série não poderá ingressar na universidade ao final do ano; o estudante da verdade não pode alcançar a verdade da noite para o dia.


FÓRMULAS MÁGICAS: Há uma fórmula mágica para se resolver conflitos.
É o seguinte: Tenha como objetivo resolver o conflito, não obter vantagem.
Há uma fórmula mágica para se evitar conflitos.
É o seguinte: Preocupe-se em não ofender, não em não ser ofendido.


SOBRE A IMATURIDADE: O sofrimento das pessoas vem, de fato, da imaturidade.
Entre pessoas maduras, a guerra não seria um problema: seria impossível.
Em sua imaturidade, as pessoas querem, ao mesmo tempo, a paz e as coisas que fazem a guerra.
Entretanto, as pessoas podem amadurecer, da mesma forma que as crianças crescem.
Sim, nossas instituições e nossos líderes refletem nossa imaturidade.


À medida que amadurecemos, elegemos melhores líderes e estabelecemos melhores instituições.
Tudo se resume no ponto que muitos de nós desejam evitar, trabalhar para melhorar nós mesmos.


SOBRE O DESARMAMENTO: O desarmamento tarda em materializar-se - em parte porque prevalece muito o medo, em parte porque há uma presunçosa esperança de que ainda se possa alcançar algum almejado objetivo pelas armas; e também porque algumas economias parecem funcionar com bastante ganância durante a situação de preparação de guerra.




Vamos participar em construir a Paz!

Postado por Gilnei Teixeira


Lágrimas de Realengo


Choram as mães. Choram os pais. Chora o mundo. As crianças que não puderam continuar na carne e as que ficaram traumatizadas, possivelmente, para o resto dessa existência ( e de outras).


Chorei, sim, pelo desespero daqueles meninos alvejados pela inferioridade do nosso planeta.


Um poeta da nossa música já escreveu: ninguém aguenta mais o desamor. Pobre mundo que aprende dolorosamente lições imprescindíveis para a felicidade.
Oremos pelos familiares que sofrem a morte de suas crianças e também pelo instrumento infeliz da tragédia.


Como espírita, sei o quanto de sangue e lágrimas semeou no próprio caminho. Atormentado, em surto psicótico, plantou amargos espinhos que pisará em sua redenção ao longo dos séculos.


Ele tambem teve pais, embora adotivos. Sem dúvida, devem chorar por ele em qualquer lugar em que se encontrem.

Quanto aos que ficaram, necessitam de muita vibração de amor a fim de que suportem a força da lembrança, escutando os estampidos e assistindo seus colegas agonizarem.

Por mais difícil que seja, é hora de buscar a serenidade. São tempos inquietantes estes que atravessamos, no entanto, a Lei trabalha para que a felicidade seja alcançada por todos.


Sabemos que há um passado por trás de cada criaura envolvida no drama que assustou e indignou o país.


Chorei, comovido. Sou pai. E me coloquei em lugar dos aflitos pais que vivem o indescristível terror.


Sejam sustentados pelos seus guias espirituais. Apesar de tudo, mantenhamos a divina esperança.


Vai amanhecer.


Oremos por todos.







Frederico Menezes

quinta-feira, 14 de abril de 2011

Questão da eticidade humana.





O insigne codificador da Doutrina Espírita preocupado com a questão, inquiriu a falange do Espírito da Verdade. “ Qual a origem das qualidades morais, boas ou más dos homens? E os amigos espirituais, remetem ao espirito nele encarnado, ao seu grau de percepção quanto as qualidades morais.


Percebemos que a questão Ética nas relações do homem, para com todas as situações que o cercam, e que compoem sua atual vida, estão ligadas a sua definição de moral.


A moral é a regra de bem proceder, isto é de distinguir o bem do mal, e fundamenta-se na observancia da Lei de Deus.


O homem procede bem quando tudo faz pelo bem de todos, porque assim cumpre a Lei de Deus.


Mas a proposta é um pouco mais complexa, devido ao nosso atual estágio evolutivo ( Espírito), pois nos é muito vago a questão Moral.


Ainda agimos como juizes de nós mesmos, e na maioria das vezess insistimos em criar halibes que justifiquem pequenas atitudes, em relação a vida e aqueles que dividem conosco a caminhada.


Urge que se faça necessário o Bem proceder, iniciando nas mínimas tarefas e posições definidas no dia a dia.


Urge a necessidade de desenvolvermos a capacidade de distinção do bem e do mal, em observancia as Leis de Deus.


A observancia de Santo Agostinho, contida no Livro dos Espíritos, “ ao final do dia, (…) passava em revista ao que fizera e perguntava a mim mesmo se não faltara a algum dever, se ninguém tivera motivo para de mim se queixar”


A reflexão sobre nossos passos se faz imprescindivel se temos o anceio de crescermos moralmente, pois somente desta forma poderemos nos conhecer melhor, e com isto aguçar nossa percepção do bem e do mal. Se percebermos que temos deixado um passado de mágoas e tristezas, aprendamos com nossos erros, se os resultados forem positivos aprendamos com nossos acertos.


Mas está regra de bem proceder jamais pode estar fundamentada em nossos interesses pessoais, “ O homem procede bem quando tudo faz pelo bem de todos”.


Nossa percepção precisa ser sempre de ambito geral, Universal.


“Mas como não há pensar certo a margem de principios éticos, se mudar é uma possibilidade e direito , cabe aquem muda- exige o pensar certo – que assuma a mudança operada. Do ponto de vista do pensar não é possivel mudar e fazer de conta que não mudou. É que todo pensar certo é radicalmente coerente.


“A conquista paulatina do Bem produz equilibrio e segurança, eliminando as armadilhas do ego, que ,mais tem interesse em promover-se do que em ser substituído pelo valor novo, inabitual no seu comportamento.”


Como pais, educadores, Evangelizadores que somos, é imprescindivel pautarmos nossa vida no esforço da Ética.


Por isto para ensinar é preciso a corporeificação das palavras ao exemplo.


O Educador que realmente ensina, quer dizer, que trabalha os conteúdos no quadro da rigorosidade do pensar certo, nega, como falsa, a fómula farisaica do “faça o que mando e não o que faço”.


“ Quem pensa certo está cansado de saber que as palavras a que falta corporeidade do exemplo pouco ou quase nada valem.


Pensar certo é fazer certo.”


“ Não há pensar certo fora de uma prática testemunhal que o re-diz em lugar de desdizê-lo. Não é possivel ao educador pensar que pensa certo mas ao mesmo tempo perguntar ao aluno se “sabe com quem está falando”.”


Apartir desta constatação devemos focar nossas atenções as analises de nosso agir ético.


Pois os filhos, no periodo infantil, imitam mães, pais e educadores, nos sentimentos, nas idéias, nos habitos, nos vícios e em todo comportamento, seja ele para o bem ou para o mal. As crianças não fazem seleção dos ingredientes morais que assimilam, ouvindo e observando os educadores.


O que transmitem os pais ( e Educadores), torna-se lei no coração dos pequeninos, constituindo-se em substancioso material na orientação de conduta para a vida adulta.”


Somos sabedores e reconhecemos nossas ainda imperfeições, mas da mesma forma sabemos da grande responsabilidade como educadores que somos, de estarmos refletindo e nos enternecendo diante das oportunidades que temos, nos dias atuais, pois ainda tateamos a moralidade, mas na certesa de que seremos constrangidos a melhorarmos e agregarmos aos dias futuros condutas mais éticas e moralmente dignas da Lei de Deus.


Nos empenhemos na dedicação a Educação nos apontada pela Doutrina Espírita, primeiramente com nós mesmos para desta forma lecionarmos através da transformação íntima a Educação que forma Caracteres, que forma bons Habitos, Jesus se refere ao valor imanente e transcendente das ações humanas afirmando que todos os nossos atos do cotidiano são igualmente contabilizados perante a Justiça Divina: “Em verdade vos afirmo que sempre que o fizestes a um destes pequeninos irmãos, a mim o fizestes.” A construção da felicidade na vida eterna, pois, inicia-se na construção do reino de Deus na vida terrena, através do cumprimento da lei de amor, justiça e caridade: “Se quererdes, porém, entrar na vida, guarda os mandamentos.”






Proteção e Paz
Gilnei Teixeira


Bibliografia estudadas
Kardec Allan LE 361/629/comentario 919.
Freire Paulo Pedagogia da Autonomia
Angelis Joanna Amor Imbativel Amor
Barcelos Valter A arte Moral de Educar os filhos
Kardec Allan A Genese
(Mt. 25:40)
(Mt. 19:17)
Sandra Borba Pereira (RN)

Reflexão: Analfabetos de Céu.


Numa Escola de Ensino Fundamental, uma menina de 7 anos faz um desenho de uma paisagem com tintas coloridas.



Era a tarefa do dia na aula. Pintar um lugar onde eles gostariam de estar.


A menina se esmerou com a palheta de cores, e produziu, empolgada, sua obra de arte.


Ansiosa, levantou-se da cadeira e foi mostrar à professora.


Ao ver a pintura, a educadora notou algo estranho já de súbito.


Disse baixinho um Muito bem, para incentivar a criança, fez um carinho e pegou o desenho em mãos.


Os trabalhinhos seriam expostos no outro dia no mural da Escola.


No intervalo para o lanche, a professora não se conteve, pegou o desenho e foi mostrar às outras que se encontravam na secretaria da Escola.


Ela queria uma opinião sobre aquilo. Algumas delas eram mais entendidas em psicologia infantil, e quem sabe poderiam ajudá-la a decifrar o que estava pintado ali.


O que será que ela quis dizer com isso? Isso deve estar mostrando algum sentimento, algo que ela tem guardado. O que será?


As amigas de profissão não souberam dizer. Algumas disseram que não era nada, que não deveria se preocupar. Mas ela estava encafifada.


Voltou à sala de aula, e resolveu que, ao final do período, iria conversar com a menina e perguntar a ela o que significava.


Chamou-a então, com discrição, à sua mesa e perguntou, com a pintura na mão:


Querida, você pode explicar algo para mim? - A criança acenou com a cabeça.


Se o céu é azul, por que você desenhou um céu cor-de-rosa?


Mas o céu não é azul, professora! - Respondeu ela, com educação.


Quem diz que o céu é azul é analfabeto de céu!


Ontem, no final da tarde, o céu, atrás de minha casa, estava assim, rosa.


Esses dias vi um céu laranja! À noite ele é sempre preto, ou azul escuro, mas de dia ele pode ser cinza claro, cinza escuro, vermelho...


Sabe... Uma vez vi uma tempestade tão grande no céu, que ela chegou a pintar o céu de verde! Não é todo mundo que acredita, mas eu vi, era verde.


* * *


A menina fez um verdadeiro discurso sobre as cores do céu, deixando boquiaberta a professora desatenta.


Ela nunca havia parado para pensar nisso. Aceitou tão facilmente a verdade, o clichê de que o céu é azul, que acabou esquecendo a variedade de cores possíveis no zimbório terreno.


Percebeu então como as crianças têm uma sensibilidade admirável, e que muito tinha a aprender com elas.


Com certeza, na próxima vez, antes de achar que possa existir algum problema numa criança, iria se analisar, para perceber se não era sua sensibilidade que precisava de escola.


* * *


Toda criança é especial, e merece ser tratada como tal.


Da mesma forma como nem sempre o céu é azul, cada criança tem suas particularidades, e os educadores precisam estar atentos a elas.


Não se pode usar uma mesma fórmula, um mesmo padrão de ensino ou educação no lar, para todas as crianças.


Faz-se necessário ajustes, adequações, atenções individualizadas.


Todo céu é belo, mesmo sendo amarelo, rosa, vermelho ou negro.



Postado: por Gilnei Teixeira -R.M.Espírita